sexta-feira, 30 de outubro de 2009

E agora, meu bem?

Achei que nunca aconteceria, que não precisaria me preocupar, me encher de dúvidas.
Achei que seria diferente.
Não foi.
Foi igual, foi pior.
Foi pior porque eu não esperava, eu confiei e não esperei.
Eu confiei e errei.
Eu perdoei.
E agora, meu bem, devo desconfiar?
Não vai se repetir?
Ou será como foi antes, dizer-me que nada havia, haver o que nunca dizia.
Mentir como há muito não via.
E agora, meu bem, és só meu ou estás repartido?
Se estiver, me diga por agora, tu bem sabes que não perdoarei mais.
E agora, meu bem, o que devo esperar?
Um final feliz, finalmente?
Ou devo deixar de te amar?
E agora, és ainda meu bem?
Queres ainda meu bem?

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

No que consiste a castidade?

O problema do mundo hoje é a genitalização da relação sexual, é transformar a relação sexual em mero ato genital.
Desconsiderando a capacidade de amar, de estar com o outro.
Não devemos coisificar a outra pessoa. Ao contrário, devemos amar, antes do sexo, a pessoa.
Respeito, carinho, atenção, não é apenas uma restrição à não genitalidade.
Não pecar contra a castidade é ter consciência de que você é um ser humano e que precisa administrar bem a totalidade que você é.
Não ser capaz de respeitar o outro, o que ele sente, pensa, brincar com o sentimento do outro, isso tudo é pecar contra a castidade.
Vive-se a castidade vivendo a fidelidade, amor, respeito, sabendo que o outro não é objeto, que não está lá apenas para satisfazer as suas necessidades físicas.
O outro é uma extensão sua e, como sua, deve ser preservada e amada.
Quando seu amor próprio passa a ser o amor ao outro, encontra-se a castidade.
>>Padre Fábio de Melo.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

...em ti, nunca mais.


Hoje senti seu cheiro.
Senti o cheiro que sentia quando perto de ti estavas, quando ficávamos por horas naquele espaço fechado e o som abafado, e os movimentos cortados e senti saudade.
Corri a tirar-me daquele lugar, não posso ficar em lembranças; tenho receio de voltar lá sempre que de ti sentir falta, para resentir teu cheiro, para reavivar nós dois.

E pus-me a respirar o ar da rua, poluído, a inebriar-me daquela confusão de cidade, de sítio urbano de cidade, de longe de ti.
E pensei que ali, no meio da rua, estava protegida. Não de ti, mas de mim. Protegida de te querer em mim outra vez.

E continuei andando a procura de mim, a perder-me de ti; em ti, nunca mais.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Mar de olhos


Sinto vontade de chorar. Achei que tinha superado, e acredito tê-lo, mas sinto saudade, era bom.
Sei que não daria certo, e algumas coisas até me incomodavam. Contudo, apesar de tudo, era bom, era ótimo.
Era incerta a existência, mas, quando existia, era perfeito.
Não me lembro do sabor, do gesto, do cheiro.
Lembro ainda da voz, do jeito, de nós.
E dos atos. Os lícitos e os ilícitos, os que me sorriam em idéia e me estremeciam por dentro, por fora, por todo o lado.
E olhos. Teus olhos, meus olhos e as dúvidas, que nunca te entendi pelos olhos, que de tão claros me cegaram, me entregaram, me entreguei, encontrei, sabendo que iria perder, perdi, e agora?
Agora escrevo.
Agora são apenas lembranças de um dia em teu mar.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

E essa solidão deixa o coração nesse leva e traz


Já não sinto mais teu cheiro em mim.
Esvaiu-se com o vento que sopra dentro de meu corpo e me diz que tudo acabou.
As lembranças se apagam paulatinamente.
São flashs de nossos beijos, dos seus sorrisos, e dos meus olhos castanhos refletidos nos teus, mar.
Ando por aquelas ruas que tanto passeamos, e sentir o chão debaixo dos meus pés e rir aquele riso nostálgico é agora minha única prova de que acontecemos.
E o verbo passado-presente faz nascer em meu peito um calor, uma saudade e esperança, na angústia, que queima por dentro. Essa faísca vem me confortar.
Então choro, e as lágrimas apagam de mim qualquer dúvida, qualquer faísca, me inundam por dentro, transbordam, tomam olhos e coração e não deixam divagar meus pensamentos. Prendem-me no firmamento, dão-me uma sentença: não há o que esperar, eu caminho na areia, e nela só há passos meus.

domingo, 2 de agosto de 2009

Eu sei que não devo falar, por isso escrevo


Sei que não devo falar do que não sei;
e que não devo falar do que não me diz respeito, ou melhor, daquilo que não diz respeito unicamente a mim,
mas tenho tido alguns sonhos, que não são sonhos propriamente ditos, são mais pensamentos propriamente tidos,
e por conta destes encontro-me com maior freqüência do que o normal, sendo já o meu normal anormal aos olhos dos outros, a devanear sobre mim, sobre ti, e sobre muito que não sei agora dizer, medir ou pressentir.
E prolixa percebo que já estou a florear sensações em palavras, a fim de transformar essas palavras sentidas em ações; ações vividas.
Não havia percebido o quanto era importante pra mim. Não digo de imprescindibilidade, mas de amabilidade e, por que não, de desamabilidade – apenas em alguns momentos -, das vezes em que me ama e me critica, e das vezes em que me critica porque me ama, e me ama apesar de me criticar.
Não havia percebido o quanto te critico, e acredite, faço-o muito mais silenciosamente do que verbalmente. Critico-te por não me apoiar em algo que faço por ti, para ti... Não, mentira, na verdade é por nós, para nós que faço, pois sua razão me diz que minha emoção atrapalha; minha emoção em te ter perto, em querer te fazer feliz ao meu lado <> .
Mas minha emoção é efusiva, quer abraçar o mundo com as pernas, minha emoção me desespera, me tira a calma, essa calma que tanto me pede, que me exige, que diz que não tendo não terei nunca, jamais, coisa alguma.
Mas compreenda, por favor, que não é a calmabilidade que me falta, é você.
Você que me falta mesmo quando está perto, você que me falta pois o perto nunca o é em suficiência.
Essa saudade muda que sinto, que digo e responde “eu também”, que me diz e eu respondo “eu também”, são esses “tambéns” que dizemos não porque não nos importamos, mas porque nos importamos demais, e queremos demais, desejamos demais e temos de menos, temos de pouco (,) insuficiente, são eles que me fazem brigar, é a angústia de não te ter perto que acaba por te afastar, por me afastar, por nos afastar mutuamente.
E te Amo. E me importo, sim, com o que pensa, com a sua saudade, pois é minha saudade igualmente, é saudade que sentimos, vivemos e eu amo.Amo a saudade, é a prova que tenho, a prova diária que tenho de que você existe mesmo na minha vida, que é real, que é irreal também, visto que a realidade não comporta o tamanho dos nossos sonhos, por isso são sonhos.E por serem sonhos, por não serem reais, que neles acredito.
Acredito em nós, acredito não em mim nem em você, pois o “eu” e o “você” são egoístas, mas acredito no “nós” que pacifica, no nós que faz meu peito acalmar enquanto o coração bate forte, que acalma o peito porque somos nós, que desespera o coração porque o coração é meu.
Quero acalmar meu coração também, meu bem, e quero fazê-lo contigo. Proponho dividir contigo meu coração. Nele há muito já está, mas quero doá-lo, ou melhor, reparti-lo contigo, comigo, conosco.
É, não faz sentido, não há razão nisso, mas não há razão válida na maioria das coisas que faço, e nesse caso tudo o que disse são palavras muitas, que não têm razão de ser, só razão de continuar, é a minha razão de continuar.
Amor, não briguemos, ou briguemos, mas não a sério, mas não transplantemos essas brigas para a realidade comum, mantenhamo-nas em outro plano, em um que não nos afete, em um onde não haja a palavra “adeus”.
Amor, não choremos, amemos pois mais e mais, sejamos pois mais e mais, ajudemo-nos pois mais e mais.
Pois já te amo mais e mais diariamente, momentaneamente, te amo mais até quando estamos a discutir, sei que discutimos porque estamos vivos, e não apenas vivos, mas vivos juntos, queremos viver juntos, nós queremos.
A existência do “nós” nas sentenças, sejam elas quais forem, é o que me alegra, é o me toma quando te vejo, que me faz procurar sua mão e entrelaçar a minha a ela por baixo da mesa, por cima da mesa, por entre os lençóis, as roupas, que me faz te procurar até nos sonhos, que te faz ser sonho meu.
Meu sonho, minha realidade;
nós, nos(sos) sonhos.

sábado, 18 de julho de 2009

Não pago com cerveja


Sou imperfeita, muito.
Sei que devo reparar meus danos, as mágoas que causo.
Sei que muitas vezes sou ausente.
Sei também que muitas vezes espero demais, ou sonho demais.
E que promovo perdas e danos para ti.
Que não te sigo e te acompanho como deveria.
Sei também que deve ser ressarcido, e não nego.
Mas perdoe-me, não sei pagar meus danos com cerveja.
Não sei presentear-te com cerveja, uma de ótima marca. Na verdade, não sei nem diferenciar uma cerveja da outra, desconheço suas peculiaridades.
Meus conhecimentos resumem-se à existência de cervejas ruivas, loiras e negras.
Minha idéia de pagamento, passa pelo cuidado, pela presença.
Para mim, a única coisa que anula a ausência é a presença.
É o carinho, o querer bem e o fazer bem.
É a entrega, sem ressalvas.
É o caminhar na praia, ver o mar, sentir a água gelada batendo nos pés, tremer de frio e abraçar.
Chegar à casa, tomar banho, vestir uma roupa sua, fazer café, cortar o pão.
Depois sentar na tua cama com os cabelos molhados, deixá-los perfumar o quarto, para que se lembre sempre desses momentos.
E ficar abraçada a ti, ver-te adormecer em mim.
Sorrir
Despertar-te com um beijo leve e ver que também sorri para mim.
Não preciso de mais nada.
Sua presença compensa sua ausência.
Espero que minha presença compense minha ausência.


Desejo apenas que, se alguém quiser pagar-te com cerveja, que escolha a ruiva e lembre-se de mim.