sábado, 18 de julho de 2009

Não pago com cerveja


Sou imperfeita, muito.
Sei que devo reparar meus danos, as mágoas que causo.
Sei que muitas vezes sou ausente.
Sei também que muitas vezes espero demais, ou sonho demais.
E que promovo perdas e danos para ti.
Que não te sigo e te acompanho como deveria.
Sei também que deve ser ressarcido, e não nego.
Mas perdoe-me, não sei pagar meus danos com cerveja.
Não sei presentear-te com cerveja, uma de ótima marca. Na verdade, não sei nem diferenciar uma cerveja da outra, desconheço suas peculiaridades.
Meus conhecimentos resumem-se à existência de cervejas ruivas, loiras e negras.
Minha idéia de pagamento, passa pelo cuidado, pela presença.
Para mim, a única coisa que anula a ausência é a presença.
É o carinho, o querer bem e o fazer bem.
É a entrega, sem ressalvas.
É o caminhar na praia, ver o mar, sentir a água gelada batendo nos pés, tremer de frio e abraçar.
Chegar à casa, tomar banho, vestir uma roupa sua, fazer café, cortar o pão.
Depois sentar na tua cama com os cabelos molhados, deixá-los perfumar o quarto, para que se lembre sempre desses momentos.
E ficar abraçada a ti, ver-te adormecer em mim.
Sorrir
Despertar-te com um beijo leve e ver que também sorri para mim.
Não preciso de mais nada.
Sua presença compensa sua ausência.
Espero que minha presença compense minha ausência.


Desejo apenas que, se alguém quiser pagar-te com cerveja, que escolha a ruiva e lembre-se de mim.

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