sábado, 30 de abril de 2011

"Não dizer o que pensa já é pensar em dizer"

Ainda não sei o que escrever.
Mas também não sei ficar calada.
Sei que o que fiz foi certo.
E descobri que fazer o certo nem sempre faz bem.

O certo nem sempre me dá certeza.
Mas fiz o que devia ser feito.
O que ocupou às vezes minha mente é se isso tem ou não volta.
Tentei me convencer de que não há volta.
Que não é pássageiro.
Mas insistir no certo é ainda pior do que fazê-lo.
Depois tentei me convencer de que era passageiro.
Contudo, se o fizesse, a desilusão caso estivesse errada seria enorme.
E como disse Aristóteles, aquele que sabia não saber nada, ninguém pode desejar o mal a si mesmo.

E aquela realidade me fazia mal.
Não havi como eu mudar a realidade, bem como era impossível, além de inadmissível, passar a aceitá-la.
Mais inviável ainda seria tentar não me sentir mal.
Seria como abaixar as defesas que verdadeiramente me protegem (pois aquelas que me afastam do mundo já foram emobra há algum tempo).

Ninguém pode desejar o mal a si mesmo.
Ninguém pode se manter numa situação que lhe traz intranquilidade.
Se minha paz depende de um ato meu ou de um ato alheio, e este alheio não toma nenhuma atitude, buscarei minha paz eu mesma.

Como disse anteriormente, sei bem o que quero: quero tranquilidade, paz, quero ser feliz.

Não vou viver com medo de perder.
"Não dizer o que pensa já é pensar em dizer", lembro bem disto.
E viver com medo de perder já é perder o prazer de viver.

As mudanças alheias não cabem a mim.
A mim cabe ser feliz.

Preparo meu barco com meus pertences. Minha tripulante é minha flor de Lotus. Vou viajar por aí, deixar minha flor crescer ao sol do outono. Vou buscar os cais amigos, vou me buscar no mar.

Se volto?
Não sei, deixo o mar me levar.

1SVR

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Vamos apagar nossas memórias? Vou me encontrar no mar...

Trilha para o texto: Nando Reis seguido de Los Hermanos


Que bom seria se tivesse um botão de "sumir com a desilusão"
Que bom seria se tivesse um botão "fazer feliz o coração"
Que bom seria se tivesse um botão "apagar o passado ruim"
Que bom seria se tivesse um botão "meu passado faz mal pra mim"
Que bom seria se tivesse um botão "salvar aqueles que amamos"
Que bom seria se tivesse um botão "curar os males do mundo"

Que bom seria se tivesse botão pra tudo.
Assim nunca teria que enfrentar meus medos, meus receios, meu passado, meu presente e o passado alheio.
Quem bom seria se tudo fosse fácil, sem esforço e sem reconhecimento, não?
Não.
Não, que a vida não é fácil.
A vida é difícil pra caramba, e é ainda mais difícil ter que lidar com a ausência de botões.
Não recebemos botões de graça, mas recebemos sementes.

Sementes que plantamos onde queremos, cuidamos e depois colhemos.
Se-mente (que) jogamos no lixo, que não presta, que é erva daninha.
Ah, mas há daninhas bonitas, algumas parecem flores.
Tem uma muito conhecida, maria sem vergonha, porque dá em todo lugar, é bela, mas destrói a terra.
Tira todo o composto fértil, se alimenta dos nutrientes que não são pra ela, que são para outras plantas, que são pra um jardim bonito, onde tudo se planta e tudo se colhe... de bom.
Se maria fosse boa, não seria. Se maria fosse boa  não destruiria a terra alheia.
Se maria fosse boa, procuraria uma terra sua, na qual pudesse se cultivar.
Mas maria não tem pena, não tem dó nem piedade, maria cultiva em si a semente da maldade.
Maria quer a terra pra ela, pra usar e tirar proveito. Quer que cada nutriente seja dela por direito.
Maria que vê a terra não pra produzir, maria que vive pra terra prostituir.
Usou uma vez uma terra e nela nada deixou. Cresceu maria bonita, e a terra morta sobrou.
Mas terra é parte da vida, e na vida tudo se salva, a terra morta virou composto, fez parte da compostagem.
A terra ganhou nutriente, plantou em si nova semente.
Quando há uma semente nova, uma semente que não daninha, a terra demora pra encontrar raiz. Porque a semente não daninha e a terra precisam se tornar uma só, pra crescer e dar frutos - ÁREA VERDE.
Mas a terra é impaciente, a terra não sabe o que quer, e lá vem novamente maria, tentando ser da terra mulher.
Maria sabe o que quer, quer usar novamente o que já foi seu. Porque viu que se recuperou, que a terra ainda não morreu. Não terminou seu trabalho, não destruiu sua plantação, Maria sem vergonha, não tem ética, não. Maria quer que a terra vire chão.

Chão cimentado não dá frutos.

E a semente que estava na terra?
Essa é semente forte, não se deixa abater. Subiu no seu barco e foi navegar, matar as saudades da água. Vai virar planta áquatica, vai se encontrar no mar.

Daqueles que amamos e do medo da morte

Vou dar uma pausa nos meus sofrimentos pessoais por motivo de coisa verdadeiramente importante.

Hoje descobri que duas pessoas muito amadas por duas pessoas que muito amo estão com câncer.
Senti uma dor sem fim quando fiquei sabendo.
É uma espécie de empatia, de vontade de cuidar, de tentar dar todo o seu empenho e toda a sua força de viver para aqueles que estão com medo de morrer.
É como se os seus problemas que pareciam grandes de repente ficassem ínfimos, e você sente até vergonha de ficar triste por determinadas coisas.
Porque uma doença que te destrói aos tantinhos e silenciosamente é muito mais preocupante do que um silêncio de palavras, do que um "falamos depois".

Porque há situações nas quais o "depois" passa a ser mais incerto do que o "falamos".

E o medo de perder quem amamos é gigante.
É o medo de perder alguém que quer viver, que quer ficar conosco, que nos ama, que ama a vida, que confia na gente e a gente confia nessa pessoa. É uma ligação forte demais, e qualquer ameaça à ligação é também forte demais.

Eu amo essas minhas duas amigas cujos parentes estão com câncer.
Eu as amo tanto que amo também estes parentes.
Porque o amor é algo que brota ninguém sabe como, mas brota, e floresce também, e toma tudo por onde passa.

Até o início da manhã de hoje eu estava triste porque não sabia o que acontecia na minha vida.
Estava triste porque não sabia se a pessoa na qual eu confio e amo também confia e me ama.
Estava triste porque tinha passado por uma situação horrível e aquele com quem escolhi compartilhar isso não quis me abraçar e dizer que ia ficar tudo bem.

Estava eu triste por incertezas que tinha.

Agora, no meio da manhã, estou triste porque me dou conta de que há certezas horríveis na vida daqueles que eu amo e confio.
E eu sei que esses que amo e confio também me amam e confiam em mim ao ponto de dividir este sofrimento comigo.

E meu maior desejo agora é ser forte e ser feliz para poder fortalecer e alegrar essas pessoas.
Quero que minha tristeza pessoal me fortaleça, porque é preciso muita força para lidar com o câncer.

Eu quero que vocês duas saibam que podem contar comigo sempre, que não me preocupo que me preocupem, que quero mais é estar ao lado das duas sempre.

Eu sei que não é fácil, mas vocês não estão só.

Escrevo este texto com todo o carinho, espero que ajude de algum modo....

terça-feira, 26 de abril de 2011

Da confiança

Não é fácil confiar em alguém.
Menos fácil ainda é confiar em si mesmo ao ponto de se deixar confiar em alguém.
Porque a gente só confia de verdade em outra pessoa quando coloca na balança "risco" e "ganho", e o ganho é maior do que o risco.
E o ganho só fica acima do risco quando você se dá conta do quão maduro você está se tornando.
É preciso entender, aprender, todos os dias, que vale a pena viver os momentos apesar dos riscos, dos fins e do começo.
Que tudo só acaba quando termina, e que se as coisas ainda não estão bem, é porque ainda não acabaram.
Só sabemos o quão forte somos e o quão forte é o que sentimos quando fraquejamos.
Sim, porque sempre fraquejamos. O que mede a força não é o fraquejar, mas o suportar, o levantar depois da queda e querer continuar andando, mesmo sabendo que pode cair novamente.
É se dar conta de que, pior do que cair, é não andar.

Algumas coisas bizarras acontecem nas nossas vidas, coisas que achávamos que estavam limitadas aos nossos 14 anos.
Mas acontecem. E dá medo, e assusta, e preocupa.
Mas não temos mais 14 anos, e eu não tenho mais 14 anos.
Me assustou, me deu medo, me preocupou, mas daí eu vi que nada disso abalava a confiança que eu tinha.

Foi estranho, foi ruim, e foi o fim.
A gente só aprende na prática.
Aprendi. Aprendi que as pessoas muitas vezes não sabem lidar umas com as outras, com os ganhos e com as perdas. Aprendi que as pessoas inventam mil coisas, mentem.
Aprendi que uma pessoa pode fazer loucuras por algo que diz ser amor, e não amar nada.
E o que essa pessoa merece?
Não sei, mas sei que ela não merece nem a dignidade nem o respeito daqueles que ela afetou.

Não sei o que aconteceu, não quero saber o que aconteceu.
Quem fez, porque fez e como fez.
É passado.
O que aconteceu fica no passado, assim como quem fez acontecer.
Ponto final só se dá uma vez; vários pontos finais viram reticências.

Sei que a vida não é um jogo, e sei que um casal não é peça de jogo de ninguém, nem deles nem dos outros.
Sei que não vou jogar, batalhar ou guerrear.
Sei o que quero, quem quero e como quero.
Sei que a confiança existe porque, apesar de tudo, ainda sinto paz.

Sei que não é fácil confiar em alguém.
E sei que, apesar de tudo, eu confio (muita coisa).

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Até quem me vê lendo jornal, na fila do pao, sabe que eu te encontrei... (contagem regressiva?)

Ler ao som de Último Romance - Los Hermanos

Quanto tempo mais vai durar?
Até segunda-feira, talvez?
Talvez fosse mais fácil se as pessoas fossem sinceras umas com as outras.
Talvez fosse mais fácil dizer a verdade.
Talvez fosse...
Mas qual ser humano quer as coisas facilmente?
Qual a graca de abrir o jogo, ser sincero?
Tem graca?
O divertido é mentir, enganar, o divertido é tentar fazer crer que está tudo bem, que nada aconteceu, que ninguém falou com ninguém.
O divertido é apagar os resquícios do crime. O divertido é ser mau.
Porque ser bom, já disse Maquiavel, nao é benéfico pra ninguém individualmente.
É bom cometer injusticas, contar mentiras.
É bom.
E o risco que se corre?
Ninguém pensa. E se pensa, acredita levianamente que nada acontecerá, que ninguém descobrirá, que vai ficar tudo bem.
Eu acredito que vai ficar tudo bem.
Eu acredito que estou perdida, que meu mundo caiu.
Acredito que vou chorar, que vou ficar triste, que vou me sentir enganada, talvez até usada, mas que vai ficar tudo bem em algum momento.
Eu acredito que algumas pessoas nao estao prontas, ou nao querem estar prontas.

Mas também acredito que estou eu pronta, que sou capaz de superar cada mentira, cada omissao, cada ajuste de palavras, cada manipulacao.

Porque eu aprendi nesses dias que a gente tem que viver o momento ao máximo.
Eu estou vivendo o momento ao máximo, pois sei que o momento se dará fim, nos dará fim.

O pós momento é cruel.

O meu mundo caiu?
Eu que aprenda a levantar.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Barcos e cais

Ler ao som de Dorival Caymmi

Meu barco saiu pro mar hoje, em busca de um dia farto.
Fui, mas não fui só.
Tinha alguém me esperando no cais, torcendo por mim, pronto pra me reabastecer, pra cuidar do meu barco.
Fui, fui ao mar buscar o que me importava.
Fui por mim, voltei por mim.
Mas, quando voltei, tinha um cais me esperando.
E naquele cais pude aproveitar todas as minhas conquistas de pescadora.
Ali, naquele cais, separamos os peixes bons dos peixes ruins.
Porque toda pesca boa tem seus peixes ruins.
Fui ao mar, voltei do mar, e meu cais estava lá.
Meu cais também tem um barco, e saiu hoje pro mar.
Sou também cais, e espero pela sua pesca.
Todos os dias, até que, com o tempo, construamos, com os peixes que pescarmos, barcos maiores, mais fortes, e portos mais fortes.
Vamos nos profissionalizando com o tempo, eu espero.
Verdade que, mesmo se nos tornarmos profissionais, continuaremos a ter peixes ruins em nossas pescas, mas aprenderemos também a distinguir o que é bom do que é ruim, e a valorizar o que é bom, e a deixar no mar revolto o que é ruim.
Mas sei que não importa o quanto iremos crescer, continuaremos sendo um o cais do outro, e continuaremos a vibrar pelos peixes, os nossos.

O barco sai pro mar, o cais vai junto, no coração.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Primavera

Ler ao som da Primavera
Era um novo inverno?
A alma estava triste, desesperançosa, perdida.
A alma chorava sem saber o que tinha acontecido.
A alma estava meio morta de repente, com seus sonhos acordados, não realizados.
A alma sentia quase nada e, o que sentia, a destruia.
A alma estava só.
Quando um sopro de bem estar a tomou de repente, com suas palavras gentis de quem ama e cuida, quer bem.
E aquele sopro a envolveu por inteiro, disse que lhe amava, que estaria ali, que continuaria ali, que a protegeria dos outros, de si.
Não era um novo inverno da alma que se aproximava, havia sido uma mera frente fria.
E o tempo ameno a tomou outra vez.
Primavera da alma.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Estão todos em águas calmas

O novo pequeno navio teve um dia bom.
O grande e imponente navio também.
Em águas de tsunami... algo não parece bem.

Navega, pequeno navio, navega... vai ao encontro do teu cais

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O náufrago

Construíram, ao longo de quatro anos, um navio. E, depois de quatro anos de construção, ele foi jogado ao mar. Sem piedade, sem bote salva-vida, sem nem ao menos uma bóia.
O navio cansou daquelas viagens naquelas águas e foi procurar outros mares, fazer uma nova tripulação?
E ele ficou na água, nos dias de tormenta, no mar aberto.
Perdido e sozinho.
E, depois de dois meses à deriva, ele se encontrou com um barquinho simples, de madeira boa e resistente, que o puxou para dentro. Aquele barquinho frágil sabia de suas limitações, desejava superá-las e, ao ter aquele homem em si, desejou superar as coisas ao seu lado.
As águas pareciam calmas, e o passageiro parecia estar conhecendo o barquinho. Parecia que iriam até a costa, encontrar um cais, no qual pudessem trabalhar, pouco a pouco, a pequena embarcação, transfomando-a em um navio seguro.
Mas ele, o passageiro, agora membro da tripulação, impaciente que estava, queria que o barquinho fosse navio, navio grande e imponente como aquele que construiu e navegou por quatro anos.
Só não se dava conta de que aquele navio grande havia expelido-o de seu interior sem pensar nele. Ele, um dos arquitetos, foi jogado ao mar.
O barquinho sentiu o descontentamento do tripulande, e tentou ser navio. Mas era impossível construir navio em águas de tormenta.
Era preciso acalmar o mar, e era preciso que o passageiro embarcasse de vez na relação/embarcação, virando permanente tripulante.
Mas, nesse instante, as águas se agitaram.
Era o navio que voltava revoltado, mexia as águas.
O navio não aceitava que o passageiro estivesse vivo e bem em uma outra embarcação.
O passageiro era dele, só dele, e não poderia embarcar em outro lugar. Deveria estar à deriva, chorando, perdido no mar.
Aproximava-se o navio do barquinho, com toda a sua imponência.
O barquinho, amedrontado, pediu ajuda ao seu mais novo tripulante.
E o tripulante dizia:
- Rema, rema! - mas pouco fazia.
O barquinho queria ser navio, se impor.
Mas, apesar de boa madeira e de bom projeto, não podia, sozinho, remar contra o navio e se reformar ao mesmo tempo.
O navio precisava se afastar. Pediu o barquinho ao tripulante que, com sua autoridade de (ex) arquiteto, ordenasse ao navio uma mudança de rumo.
O tripulante foi ao navio, voltou ao barquinho, e o navio lá continuou.
O barquinho chorou, o tripulante negou, mas ele desejava um navio. Pra já, sem demora, sem espera.
O tripulante voltou a ser passageiro.
O barquinho, triste, pediu à ele:
- Afasta o navio, vamos sair dessas águas, vamos ao cais, construiremos juntos o nosso navio.
Não vejo perspectivas - disse ele, encantado com o navio que o havia expulsado e agora oferecia uma bóia.
Pulou do barquinho, se jogou ao mar, segurou a bóia?
O barquinho, perdido, respeitou a decisão do seu tripulante, foi em direção às águas mais calmas e lá fez algumas das reformas que queria.
O barquinho virou pequeno navio. Mas aquele pequeno navio ainda levava lembranças do seu tripulante. O pequeno navio ainda desejava se tornar grande com o tripulante.
O pequeno barquinho havia enxergado ali, naquele tripulante, a oportunidade de, juntos, viajarem o mundo, parando em portos de águas calmas, escrevendo uma história.
Aquele grande navio, que tinha jogado a bóia, era imenso, sem dúvida, e o seu capitão, soberbo, disse:
- Nem Deus pode afundar este navio!
Era, sem dúvida, potente. Era chamado TITANIC.

E o tripulante perdido? Para onde iria, o que faria?

Não sabia, mas o novo pequeno navio continuava a navegar.

sábado, 2 de abril de 2011

Verão, Outono, Inverno e... Primavera.

Sobre os amores que vem e vão, sobre a magia do início e a confusão do fim.
Mas todo fim é início de um novo tempo.
Um tempo que finda, só o faz porque há outro por nascer.
E, depois do inverno rigoroso, onde tudo parece morto, as flores mais belas nascem... na primavera.
Mas a primavera ainda demora a chegar.
Agasalha-se no inverno, fita com carinho as árvores desfolhadas, a natureza morta.
Sabe que nada morre, tudo é cíclico.
Tenta se proteger do inverno impiedoso.
Vive sem medo do inverno pois sabe que seu tempo se aproxima.
É tímida, tão tímida que não deu ainda notícia alguma.
É tímida, tão tímida, que espera o inverno fazer sua cena.
Assiste a cena escondida, respeita as estações.
Lida com o frio criando flores, pequenas e frágeis.
É tão tímida e tão bela que foi, aos poucos, conquistando o inverno.
O inverno foi, aos poucos, se apaixonando pela primavera.
Pela sua beleza, pelos seus ares, suas cores, pela sua promessa de vida.
O inverno hoje está na alma, um inverno da alma.
Mas a primavera fica esperando, do lado de fora da alma. Não para surpreendê-la, mas porque aquela alma a surpreende.
A primavera é amena e gentil, a primavera ama o inverno. E, por amá-lo, ela o espera.
A primavera sabe que a tendência é que o inverno vá e ela fique.
A primavera sabe da finitude.
E é por isso que espera, a bela primavera, espera porque o minuto valeu a pena.
A primavera parece frágil, mas é ela que supera o inverno.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Dos romances americanos

ELA era popular, ELE era o cara normal. E a OUTRA, a OUTRA nem existia naquela época.
ELA se dava bem como todo o mundo. E ELE, por fazer parte do mundo dELA, também.
Mas a garota popular, depois de um tempo, cansou e decidiu terminar.
ELE aceitou, mas não sem chorar.
Mas, como o tempo passa tudo, fez a lágrima secar.
ELE, por acaso-engano do destino, a OUTRA conheceu.
E, ao que parecia, o que ELE sentia por ELA faleceu.
A OUTRA não pertencia àquele mundo, nem sabia que aquilo existia. O que a OUTRA sabia era que ELE a feliz fazia.
Mas ELA voltou atrás, por amor, posse ou orgulho ferido. Queria novamente o que era seu por destino, quis resgatar seu presente.
E ELE, ELE disse à OUTRA que ELA queria. E a OUTRA, inocente, que nada de amar sabia, confiou no que ELE dizia "Nunca vou te magoar".
ELE disse que iria pegar suas coisas na casa dELA: roupas, DVDs e o disco do Pixinguinha. E foi.
A OUTRA, preocupada, perguntou como fôra.
"Tranquilíssimo"
ELA era popular, tinham amigos em comum, e uma dessas amigas anos faria.
ELE ia, ELA também.
A OUTRA ficaria.

ELA havia ligado, queria voltar.
"Tranquilíssimo"
ELE disse à OUTRA que pra ELA não voltaria.
Mas a OUTRA não iria.

Comentários a OUTRA já não mais fazia, pois ELA não gostaria.
"Tranquilíssimo"
Namorando estavam, mas o mundo não sabia.
Armadilha?

Com ELAELE se encontraria.
Maravilha.
E a OUTRA lá não estaria.

O que não podia?
Se o mundo dos dois soubesse da OUTRA?
Como pôde trocá-la por OUTRA?
Como explicaria?

Não diria.
É segredo, não conte a ninguém, mas o mundo O quer com ELA, e ELA também.
E sozinho iria, pois não tem ninguém.

O que a OUTRA faria?
Respeitaria a ELE e a maioria.
Pegaria suas coisas... nada tinha.
Partiria.

Eles viveram felizes para sempre.
Fim.


Texto de 24/03/2011

Talvez este texto não seja verídico, mas é belo.