domingo, 18 de dezembro de 2011

É, eu gosto...

Gosto de estar ao seu lado, do jeito que me olha, das mãos entrelaçadas.
Gosto dos nossos abraços, dos nossos beijos demorados, das nossas conversas.
Gosto de te ter por perto, do amanhã incerto e do hoje bom.
Gosto do teu gosto doce, do teu macarrão com queijo e das tuas mãos.
Gosto da sua boca macia, da sua cama vazia e a gente no chuveiro.
Gosto da magia que sinto quando penso em você, das mensagens que trocamos durante o dia, da sua alegria ao me ver.
Gosto de você.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Roteiro Pré Fabricado


Namoraram por anos.
Planos de casar, constituir família, ter filhos e ser feliz para sempre.
Até que... ela terminou com ele.
Muitas lágrimas, tentativa de volta dele.
Silêncio do lado dela.
Ele encontra alguém que o faz sorrir.
Ela se sente ameaçada.
Ela o procura, ele diz que não há mais o que falar.
Eles retomam contato nas vias sociais (só por educação e respeito à toda aquela história de anos).
Ele diz à garota que o faz sorrir que não há ameaça.
A garota tenta crer.
Ela resolve ser mais incisiva.
Apelo emocional, fingindo-se de menina carente e perdida (na verdade não encontrou ninguém ainda, e acha um absurdo que ele, que levou o pé na bunda, já esteja em outra).
Ela tenta falar sobre os motivos do fim, resolver o que estava mal resolvido.
Ele tenta resolver também, descobrir por que foi "demitido".
Ela oferece a amizade, ele aceita.
Começam as comparações, as boas ligações, aquela amabilidade que existia no início do namoro, e que o fim  fez renascer como Fênix.
Ele se sente tocado, lembra de como foram felizes, de como é mais fácil continuar com uma história de anos do que começar algo do nada.
O comodismo fala mais alto, os sorrisos ficam mais rasos, duram menos.
O sorriso da garota vem acompanhado de dúvidas, de quem sabe que viver do passado não faz ninguém feliz, e que não se pode andar pra frente olhando pra trás. Porque assim você cai e coloca a culpa no presente.
O presente não mais satisfaz, e o passado parece cada vez mais próximo.
Corta o sorriso, flerta com o passado.
Tenta se convencer de que o passado já passou e busca sorrir novamente.
O sorriso ainda está presente, mas já não sorri tanto como antes.
O sorriso sente que lágrimas estão por vir.
E elas vêm.
O sorriso se foi, sua alegria também.
Ele e ela voltam, o presente vira revival do passado.
E o sorriso vai sorrir em lágrimas em outros cantos, dizendo o que eles tanto temiam dizer: "Adeus".

Novela Mexicana

Marcaram no samba do Ouvidor. 
Ela chegou e avisou (por sms).
Ele chegou e ela viu (que estava com outra).
Entraram, ele e a outra, em um carro vermelho com vidros fumê.
Nathália, que não tinha nada a ver com a história mas é completamente insana, deu a idéia (queria mesmo era escrever sobre o episódio) para ela e para seu amigo (e ex), que dessem uma de casal apaixonado recém formado e encostassem no carro vermelho.
Ela comprou a idéia, o amigo ex veio de brinde, e foram os dois para frente do carro.
Moviam-se em harmonia, como casal que por muito foi feliz e cuja história teve fim.
O carro nada. Sem movimento, sem sinal de vida.
Teriam os dois morrido lá dentro?
Desistiram. Já estavam indo embora quando...
Saíram. Primeiro ela, depois ele.
Sem emoção, sem suor...
Ela respirou aliviada... fez justiça com o ex.
A moça do carro, coitada, parecia ter feito justiça com as próprias mãos.


E Nathália, esta ria. A espera não foi em vão.

Frutos de um sábado de novela mexicana

Olá, venho por meio deste dizer que estou desapontada.
Sábado passado te vi entrando num carro vermelho com uma garota (feia - desapontamento numero 1).
Vocês passaram mais de uma hora lá dentro e em momento algum o carro balançou (desapontamento número 2)
A garota saiu com cara de desapontada (desapontamento número 3), e você com cara de metido a garanhão (desapontamento 4).
Assim sendo, não quero manter contato com alguém cujo desempenho sexual é insatisfatório a ponto de transformar uma aventura como fazer sexo dentro de um carro no meio de um bando de gente em algo monótono.
Boa sorte com suas peripécias sexuais.
Atenciosamente,

Alice.

domingo, 4 de dezembro de 2011

E a torcida do Flamengo, chamada favelada... hoje teve festa na favela, o prato foi bacalhoada!

A Defensoria me fez ver o mundo com olhos mais atentos.
Aprendi que por trás da pobreza tem ciência política, e que por trás do futebol tem afirmação social.
E hoje vi o Flamengo, o time "da favela", dos "pobres", "criminosos" e "traficantes", na raça!
Vi a favela ali, no estádio do Engenhão, e vi a torcida do Vasco gritando "puta, viado e ladrão".
O time do bacalhau, dos portugueses "colonizadores", criminalizando socialmente a pobreza.
E vi as putas, os viados e os ladrões fazendo festa, favelizando, e cantei e favelizei junto.
Hoje teve festa de pobre na favela, e o prato foi chique, foi bacalhoada.

domingo, 27 de novembro de 2011

Ela disse Adeus... outra vez



E agora, meu bem, que estamos sóbrios e sãos?
E agora, meu bem, o que resta de nossos sorrisos dopados?
E agora, agora é ressaca, é o nada.
Ah, como queria esquecer...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

"Ela disse adeus, e chorou, já sem nenhum sinal de amor"

Ler ao som de Ela disse adeus, dos Paralamas do Sucesso
Já não pensava mais.
Nos beijos, no toque.
Não lembrava do sentimento, do olhar.
Não tinha esperanças ou receios.
Não tinha nada dentro de si
O amor morreu, disse-lhe "adeus".
Era livre para ser cativada outra vez... por outro.

Se nunca teve, nunca perdeu.
"Ela disse adeus, e chorou, já sem nenhum sinal de amor"
Mas foi a última a saber, o amor se acabou.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Do príncipe encantado, do amor eterno, e dessas mentiras que a Disney conta

É óbvio que não quero um príncipe encantado.
Alguém que vai me ver sem defeitos, me idealizar, achar que sou a melhor coisa do mundo, o ápice da beleza e do encantamento. Alguém que vai me amar completa e incondicionalmente, e que vai viver feliz para sempre ao meu lado.
É claro que não quero alguém perfeito, sem defeitos, só qualidades. É claro que não quero um bonitão num caval branco que me venere.

Coisa mais horrorosa!

Quero alguém que veja falhas e defeitos em mim, e que apesar disto ache que vale a pena ficar ao meu lado e crescer junto.
Quero poder cativar muito e descativar pouco alguém todos os dias, porque o amor e a paixão, para que sejam bons, devem ser conquistados.
Quero que tenhamos sonhos distintos, pois se fossem os mesmos nos separaríamos. Devem ser distintos para que nunca paremos de sonhar, para que não achemos que já temos tudo, para precisarmos sempre de mais.
Eu preciso de alguém que não precise de mim mais do que de si mesmo, e que entenda que não preciso dele de verdade, pois preciso mais de mim do que de qualquer um.
Quero alguém apaixonado pelos seus sonhos, que tente incansavelmente torná-los realidade. Quero vê-lo como exemplo, quero ser seu exemplo.

Mas dizem por aí que todas as mulheres sonham com um príncipe encantado... nesse caso, meu príncipe precisa ser um sapo, todo errado, do jeito que nunca sonhei ou precisei, mas aceitaria, até que o fim nos separe.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

sábado, 10 de setembro de 2011

Roda a vida, vive a vida

Roda Viva, do Chico Buarque

De repente, não mais que de repente, era livre.

E, livre que era para escolher para onde ir, foi ser feliz.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Quem não a conhece não pode mais ver pra crer, Quem jamais esquece não pode reconhecer


Não ando com muita vontade de escrever.
Tenho até tentado, mas como tenho falado tudo o que quero e sinto, não sobrou muito a confidenciar ao papel.
Talvez escrevesse sobre meus quereres, mas hoje quero quase tudo, exceto escrever.

domingo, 28 de agosto de 2011

E quem você é hoje, meu bem?

Essa moça tá diferente , eu mesma não reconheço mais. Estou pra lá de pra frente, estou deixando tudo pra trás...

sábado, 16 de julho de 2011

Último Romance

Hoje é o dia de deixar passado e presente para trás.
Hoje é o dia de realizar meus sonhos de infância, de andar pelas ruas com as quais sonhei.
Hoje é o dia de ver o céu azul triste, a chuva fina e o frio.
Hoje é o dia de ser feliz.
No lugar que sempre quis, quero ser mais.



terça-feira, 12 de julho de 2011

Potiche - troféu

Vi "Potiche - esposa troféu", semana passada.
Filme com Catherine Deneuve e Gerard Depardieu.
Verdadeiramente adorei a transformação que ela sofre, ou melhor, que ela faz, ao longo do filme.
No começo submissa, ao fim dona de si.
Foram muitos os encantamentos, horas em que desejei pular da cadeira e gritar "Apoiada!", outras em que (quase) gritei "Deixa de ser besta, mulher, vai à luta!"
Seguraram-me à cadeira para que não me manifestasse. Mas vejo Potiche como um filme denúncia-combate.
Pra mim é um novo clássico do feminismo de esquerda.
Apaixonei-me pela personagem, pelos seus erros e acertos.
Ao fim do filme algo me marcou "Ela ainda é um troféu, mas não vai ficar muito tempo na prateleira".
O que é, pois, ser troféu?
Ser troféu é ser ícone, é ser admirada por aquilo que aparenta ser.
Ser troféu de outra pessoa é ser subordinada, decorativa.
Mas o troféu é aquilo que serve de exemplo também.
É o que os outros desejam.

Quero ser troféu... de mim.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Sinto, não minto

Ainda sinto. Sinto uma falta irracional.
Sinto que sou um coração mole duro, porque nada convence meus sentimentos do contrário, e nada os controla tampouco.
Sinto-me fraca, incapaz de me auto determinar emocionalmente.
Sinto que meus sentimentos são cegos. Não enxergam o que está gritante: nada vai mudar. Tudo já mudou. Vai passar, deixa estar.
Sinto que não é nada fácil, que meu cérebro e meu coração estão em guerra.
O cérebro é inteligente, mas ele dorme. E, durante o descanso, sinto a esmo.
Sinto que sentir é bom, mas que sofrer é ruim.
Sinto que sou refém de uma parte sentimental de mim.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

De repente dei-me conta de que o rosto (às ruas) era meu


Reencontrei minhas alegrias de viver.
Reencontrei também minhas fraquezas, meus medos, minhas esperanças de ser... o que quero ser?
Reencontrei meus ideais.
Reencontrei minhas lágrimas, meus sorrisos, meu mundo particular.
Reencontrei meu mundo público, meus amigos, meus desconhecidos que entram na minha vida, dão sua contribuição e depois vão (ou eu ou eles, mas sempre vamos embora)
Reencontrei o grito de guerra, a identidade perdida, e criei identidades novas, gritei por novas guerras, reivindicando paz, e perdi a voz.
Perdi a voz mas reencontrei o amor.
O amor à luta, o amor às ruas, aos que não têm idéias e aos que têm idéias demais.
Nessas últimas semanas me recuperei de mim.
"Quem feriu meu coração fui eu, mais ninguém.
Quem feriu meu coração foi você também"
Mas quem era "você"?
Não era quem acreditei que fosse, não era nem quem ele acreditou que era.
"Você" era uma potência que nunca será em realidade.
Eu não quero potências, quero essências, quero a práxis.
Nessas semanas vi que a face que nunca vou esquecer é a minha, é a sua, é a de quem eu eternizar em mim.

Fui ÀS RUAS, jamais voltarei.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O pretérito imperfeito

Encontrei-me ontem com meu pretérito perfeito.
Conversamos sobre o seu pretérito imperfeito que ele acha perfeito.
Dali me dei conta de que tenho muita sorte.
Aprendo com cada experiência, por mais rápida e menos significativa que seja.
Vivo sem medo meu presente, e passo sem medo pelo passado.
Meu passado é cheio de pretéritos que não me encantam mais.
E?
E acontece que, para minha surpresa, não sou regra, mas exceção.
Ontem fiquei sabendo que é comum que as pessoas não saibam lidar com o passado. Pior, que não saibam colocar pessoas e realidades no passado.
Foi estranho. Não a conversa, mas o cansaço. Fiquei muito cansada, impaciente pr'aquilo tudo.
As pessoas fazem tempestades em xícaras de café.
As pessoas vivem do passado, nostálgicas. Colocam uma experiência passada como o ápice de suas vidas.
Sempre vi a experiência passada como apenas isto mesmo: uma experiência, que me orienta e me enriquece pro presente, pro futuro.
Tenho muito claramente que "what comes is better than what came before" , simplesmente porque se o passado fosse melhor do que o futuro, ele não seria passado.
Não sou nostálgica. O melhor momento da minha vida está sempre por vir, e depois por ir, para que algo ainda melhor aconteça.

Sugiro o filme Meia Noite em Paris, do Woody Allen.

terça-feira, 7 de junho de 2011

L'arbre de vie

Nunca havia antes experimentado drogas.
Nem escrito um livro, tido filhos ou plantado uma árvore.
Não era, assim, um ser humano realizado.
Também nunca tinha amado, mas como quase ninguém ama, não levaria em conta como realização.
Estava se encontrando em si. E, por ser complicada, perdia-se com frequência.
Decidida, resolveu que mudaria sua vida.
Comprou um abacate, comeu-o, e o caroço colocou num potinho com água e algodão. Escolheu o abacate porque nunca gostou de feijão.
Comprou também um caderninho de anotação. Escrevia ali suas idéias para o livro. Não tinha idéia sobre o que escreveria, mas achou bom começar logo.
Os filhos tomou por bem deixar por último, teria que fazer um processo seletivo, escolher os melhores genes...
Passou, então, para o penúltimo ponto: usar alguma droga.
Escolheu a maconha. Era mais leve, não a viciaria logo, e também não parecia ser cara, porque tanta gente usa...
Conseguiu um cigarro. Comprou-o pronto mesmo, visto que não saberia manusear a erva (trabalhos manuais nunca foram o seu forte).
Comprou-o com uma menina, devia ter lá seus quinze anos. Franzina, trazia nos olhos negros o reflexo da marginalização da sua cor. Os cabelos pretos estavam presos, mas rebeldes que eram, fugiam, não aceitavam a herança histórica da escravidão.
Quando lhe deu o dinheiro, sorriu, e viu que faltavam ali dois dentes.
Por um momento sentiu pena daquele sorriso. Mas logo afastou esse sentimento, dando-se conta de que aquela adolescente miserável não teria na vida muitos motivos para sorrir.
Sentaram as duas na pedra do Arpoador.
Olhava o mar e nele buscava inspiração para a escrita.
Depois de algumas tragadas cogitou escrever sobre... esquecera.
Foi quando um policial parou em sua frente, chamando-a de vagabunda, maconheira.
Era negro, alto, mas seus olhos pretos acreditavam ser azuis.
Mandou-a ir embora, ameaçou levá-la para a Delegacia. Levantou-se, ia pegar a mão da menina e levá-la consigo, quando o policial impediu. A traficante ia pra cadeia, que é lugar de criminoso.
- Mas ela é só uma adolescente!
- É menor infratora, criminosa, tem que aprender o certo agora, então!
- Ela não tem quase nada de maconha, não é traficante nada!
- Quem diz se é ou se não é sou eu, e essa aqui tava vendendo. Ou você acha que acredito que uma desgraçada dessas ia estar do lado de uma patricinha?
Era pouca maconha, pouca mesmo, mas como discutir com aquele homem-deus?
Desceu a pedra. Não foi embora. Ficou esperando que os dois descessem. Sentia-se culpada pela garota.
O policial desceu só. Ela subiu correndo.
Estava a franzina deitada, chorando. Abraçou-a.
Não falaram nada. Há horas em que a comunicação mais profunda se dá no silêncio.
Surgiu ai uma empatia recíproca. Eram duas miseráveis, o que as distinguia era o uso ou não da metáfora espiritual no termo.
Encontravam-se com alguma frequência, nunca falavam muito.
A barriga crescia.
- Foi ele?
- Foi.
- E agora?
- Não sei.
- Quer ajuda?
- Não.
Era uma menina. Fruto da violência social.
A outra menina,  a de quinze anos, não resistiu.
Pegou a criança nos braços. Contraste de raça. Mas aquela da pele negra teria vida de branca.
Agora tinha uma filha, e a amava.
Faltava apenas o livro.
Pegou o caderninho, e tratou de escrever nele seus últimos meses de vida.
Era realizada.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Hoje o samba saiu, de fita em mão


Talvez seja cedo para escrever sobre isso que nem sei se sinto
Mas como sou daquelas que escreve sobre o que sabe não saber...

Um inexplicável bem estar a invadia quando se aproximava dele.
O sorriso tomava-lhe a face, sorriso de quem não sabe o que quer, mas gosta do que não sabe querer.

Nem sempre você pode conseguir o que quer, mas você pode sempre tentar


Filosofia e Direito me saem com muita naturalidade.
Alguns podem dizer que é natural porque eu sei muito.
Mas suspeito, no meu íntimo, que seja natural porque o que falo é fácil.
A vida é feita de desafios. Se algo não está me desafiando é sinal ruim.
Sei pouco, prova disto é que falo muito.
Quero aprender coisas novas, ver o que nunca vi.
Ler e ter dúvida, e pensar, desenvolver, e só então entender.
Quero aproveitar meu potencial ao máximo.
E me faz feliz descobrir coisas novas, me deparar com outras perspectivas, teorias, assuntos!
Sou uma entusiasta!
Quero o novo, o desconhecido, quero conhecê-lo e mudar completamente de opinião.
Quero poder desconstruir meu raciocínio diariamente, construir e destruir dogmas.
Quero erguer meu castelo cheio de defesas, que cada tijolo seja minha paixão.
Mas faço questão de que o castelo seja de vidro, para que possa ir abaixo.
E quero ficar perdida quando meu castelo ruir, ver meus sonhos se desfazerem em pesadelos.
Quero chorar quando me encontrar desacreditada, e até me desesperar.
Eu não abro mão de viver.
Não tenho medo do problema, ao contrário, quero conhecê-lo e ir à guerra.
Sem medo de cair no meio do percurso. Se eu cair, levanto.
É sabido que nunca chegaremos onde queremos.
Neste caso, nos resta continuar andando, aproveitando o caminho.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Vinho e suas histórias

Dos olhos claros que me olhavam. E dos meus olhos sentimentalmente complexos.
Da embriaguez e do sofá de couro negro.
Estava ali meu passado, presente, em minha frente.
Estava eu ali, a olhar aqueles olhos e a sentir... que já passou.
Via aqueles olhos e não os enxergava. Enxergava apenas a mim mesma, uma outra diferente daquela que era antes, tempos antes.
Era uma outra mulher refletida nos olhos castanhos (ou seriam verdes?)
Seriam aqueles olhos os mesmos que deixei antes?
Não havia como saber.
Mas o sentimento meu já não era igual, era inexistente.
E o sentimento teu também não sei se sente.

Cheguei a um consenso comigo mesma ontem: o passado sempre volta. O passado acha normal e previsível o retorno, o reencontro.
Não se pode impedir a volta do passado.
Não se pode controlar o que se sente com o seu passado.
Pode-se não voltar para o passado.
Pode-se não sentir nada.

Não há mais resquícios do vinho de ontem. Sobrou para hoje apenas minha maturidade.

sábado, 28 de maio de 2011

Alice

Este texto, para ser compreendido em plenitude, deve ser lido três vezes, cada vez ao som de uma música.
São elas, nesta ordem:

Alice crescia a olhos vistos. Com tão pouca idade já imprimia no mundo as razões para sua existência.
Formava seus ideais com certeza e neles persistia com firmeza, até mudar completamente de opinião.
Séria, falava quase sempre brincando. E, quando brigava, o fazia com semblante fechado e olhar acolhedor.
Apaixonada, odiava tudo aquilo que não lhe agradava. E do alto de seu autoritarismo, abraçava todas as causas.
Alice não era de fácil convivência. Talvez por isso fosse sempre rodeada de pessoas.
Discreta, falava em voz baixa e sua risada, sincera, era ouvida a quarteirões de distância.
Muito comunicativa, adorava estar só. Era estando consigo mesma que encontrava graça nos outros.
Dispersa, assistia todas as aulas, e nelas falava mais que o professor.
Era ruim em contas, e suas notas em matemática eram quase sempre as mais altas.
Boa em literatura, quase não lia livros, conhecendo-os de cor pela essência.
Péssima em esportes, era a última a ser escolhida, e a primeira a ser levantada pelas jogadoras após a vitória.
Sensível que era, sempre fazia as perguntas certas para as pessoas erradas.
Alice era simples, e talvez fosse este o motivo de ninguém entendê-la.
Adepta das visões minoritárias, convencia a todos de suas incertezas.
De beleza peculiar, passava despercebida pela multidão, com seus cabelos que mudam de cor de acordo com a estação.
Alice amava sua família. Não tinha pai nem mãe.
Alice era um devaneio que deu quase... (in)certo.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Hoje o samba saiu, procurando você

Cansei da sua cegueira
Cansei de conviver com tua "hemorragia interna" que, por não olhar pra dentro de si, não vê.
Cansei de você sangrar e eu sofrer.
Mas que ainda sofro, sofro.

"Deixa o tempo passar, deixa o barco correr"

terça-feira, 24 de maio de 2011

Daquilo que só é perfeito porque é junto - Live and Let Die

Fui ontem ao show de Sir. Paul McCartney.
Lindo, maravilhoso, não há palavras que expressem perfeitamente o que é ver aquele senhor pulando e cantando por 2 horas e meia.
E a animação com a qual ele faz o show, a simpatia, o esforço em tentar pronunciar as palavras na nossa língua...
E o estádio inteiro cantando junto.
Cantando junto as músicas dos Beatles, da época dos Beatles.
Ele tocou suas próprias músicas também, da carreira solo, e eram boas, não há dúvida, mas eram dele, feitas por ele, sem o grupo junto.
Não duvido da genialidade de Paul. É inquestionável.
Mas senti, e me perdoem os que discordarem, que a magia dos Beatles não era o John, o Paul, o Ringo ou George, mas a união dos quatro. Era o trabalho de um, revisado pelo segundo, modificado pelo terceiro e revolucionado pelo quarto.
O que eu sentia falta nas músicas da carreira solo de Paul era o toque de Ringo, George e John, era a identidade de cada um deles impressa na letra, na melodia...

Eles podiam e fizeram suas carreiras solo, mas nunca foi tão bom quanto o grupo.

Algumas coisas só se perfazem e só são perfeitas quando em conjunto.

No caso dos Beatles vigora a lógica de que não dá pra ser (plenamente) feliz sozinho.
(cena do filme O Garoto de Liverpool - Nowhere Boy)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Por que quer tê-lo novamente em seus braços, se não é no teu corpo que ele se encontra, se não é ao teu lado que ele é feliz?
Por que dói o teu peito, mulher? Por que dói não ser você quem ele quer?
Mas não é por isso que dói, é?
O que dói, minha menina, é ver teus planos de futuro como parte do passado.
O que dói, mulher, é se sentir menina novamente.
O que dói é ver que tuas defesas falharam, e que os muros que sempre te protegeram, dessa vez te aprisionaram.
O que dói, minha menina, é que o teu sofrimento agora é de mulher.
Se as digitais não se apagam, ao menos que elas se percam...

sábado, 21 de maio de 2011

"Quem feriu meu coração fui eu, mais ninguém. Quem feriu meu coração foi você também"

 

Acho que sei o motivo pelo qual estou incomodada.
A angústia que me tira o sono, que me aperta o peito.
Eu to me sentindo enganada.
É, isso mesmo.
É como se eu tivesse sido feita de boba por esse tempo todo.
Como se tivessem me enganado.
Porque se não planejava mais nada, se não desejava mais nada, por que falava?
Se algo se quebrou, por que continuou a me procurar?
Se tinha acabado, por que quis voltar?
Por que quis insistir em algo que já não te encantava mais?
E o pior, por que me fazer crer que ainda encantava?
Por que falar do futuro, por que comentar, na semana passada mesmo, de filhos, de uma vida, por quê?
Se a gente não se entrosava, por que mesmo assim queria?
Se não me desejava, por que não me disse?
Pra que tudo isso, meu Deus?
Meu Deus, por que tudo isso?

"É pra você aprender, minha filha"

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Da Seletividade no Sistema Penal - a questão das drogas


Você acha mesmo que prendendo gente assim o problema das drogas vai acabar?

Nos grandes centros urbanos, o negócio mais lucrativo é a distribuição das drogas aos consumidores, atividade que absorve grande parte dos excluídos do sistema econômico (trabalhadores informais à margem da atividade lícita e da sociedade como um todo).

Nesse sentido, a atividade econômica ligada ao tráfigo de drogas, em nosso país, é fortalecida pela falta de perspectiva, o desemprego e a exclusão, levando principalmente os jovens ao negócio da droga que, apesar de ilícito, ou talvez por isso, permite o aumento do lucro e dá um mínimo de oportunidade de ganho financeiro àqueles que enfrentam barreiras para se inserir no mercado de trabalho formal. Neste diapasão os jovens seriam o grupo social mais vulnerável às atividades do tráfico.

A pesquisa realizada pela professora Luciana Boiteus buscou ter acesso aos dados oficiais de quem e quantos seriam os comerciantes de drogas SELECIONADOS pelo sistema penal, isto é, aqueles efetivamente presos pelo crime de tráfico de drogas.

O termo SELECIONADOS é essencial, pois dele desdobram-se dois pontos:
- o primeiro é que só temos conhecimento dos casos que chegam à justiça, um percentual oficial, que exclui a cifra oculta (a criminalidade não registrada, ignorada pelo sistema penal).
- o segundo é que só conhecemos aqueles que a criminalização secundária nos permitiu conhecer, isto é, os que a força policial criminalizou, exercendo o seu poder coercitivo e selecionador.

Em primeiro momento, cabe levantar dois dados. Primeiramente, cabe dizer que a droga mais consumida no Brasil é a cannabis (maconha), uma droga de pequeno potencial lesivo à saúde humana, e com menor possibilidade de levar ao vício do que substâncias legalizadas, como o alcool ou o cigarro. O segundo dado é que o tráfico de drogas é o tipo penal responsável pelo segundo lugar no número de incidência de presos (o primeiro cabe, tradicionalmente, aos crimes patrimoniais). Dos dados apresentados, pode-se facilmente concluir que uma porcentagem muito grande da população carcerária, além de jovem, está presa pelo comércio de uma substância cuja descriminalização é motivo de discussão, e que em outros países o consumo já foi descriminalizado. E, sendo o sistema penal e carcerário tudo, menos ressocializador, conclui-se também que milhares de jovens são sentenciados à marginalização social e à estigmatização criminal pela prática de um crime que para vários entendimentos nem seria crime.

E, como se não fosse suficiente a extensiva criminalização, esta ainda é arbitrária. É sabido que existem diferentes papéis ocupados na "rede do tráfico", uma espécie de hierarquia, que vai da atividade mais insignificante (o menino que solta pipa para avisar que a polícia está subindo o morro), até a mais engajada com o domínio do fato final (a movimentação e os negócios envolvendo quilos de droga pelo país e pelo mundo). E a Lei de Drogas 11.343/06 não aborda estes papéis, englobando todos os atos como um só, com o mesmo peso e o mesmo nível de lesão ao bem jurídico. Nesse sentido, a Lei se abstém de traçar um panorâma de fácil visibilidade, tornando-se não apenas omissa, mas vaga.

Mesmo em cidades grandes, como São Paulo e Rio de Janeiro, onde poder se pressupor um grande esquema de rede de drogas, o mercado é movido por micro e pequenos traficantes, em sua maioria jovens, entre 16 e 27 anos, que atuam como autônomos e vendem a droga a fim de sustentar o próprio vício. O tráfico não é uma opção errada, como muitos erroneamente pensam, e sim o resultado de uma falta de opção. Aqueles dependentes químicos pobres não possuem condição nem de sustenar o seu vício (pois não estão empregados), nem de se curar dele (há poucos e precários centros de reabilitação públicos). A forma que a pessoa encontra para se manter viva (seja em relação à dependência com a droga, seja pelas dívidas oriundas da compra desta), é entrando para o comércio micro. Ora, uma pessoa sem qualquer aparato, fundos ou conhecidos influentes, é isca fácil para os policiais. Estes, por sua vez, os prendem aos montes (no estado de São Paulo, 80% dos presos se enquadra nesta categoria), pois são de fácil acesso e não têm poder de barganha.

Por enorme equívoco, a sociedade acredita que a prisão destes indivíduos enfraquecerá o sistema do tráfico. Ledo engano, pois o tráfico os vê como absolutamente descartáveis, facilmente substituíveis por outros dependentes desesperados e endividados.

Aqueles que de fato sustentam o tráfico, isto é, os empresários do crime, verdadeiramente organizados, comandam o investimento, a produção, a comercialização e a lavagem de dinheiro. Mas, obviamente, não fazem isto de cima do morro. Não são parte da população pobre e vulnerável à prisão. Nesse sentido, os seres descartáveis são simplesmente o elo mais fraco da estrutura, e o elo que sofre toda a intensidade da repressão por parte do Sistema Penal. Motivo? a questão da corrupção no sistema público de segurança, que constitui uma espécie de intervenção (não tão velada) da polícia no limite da legalidade. Traduzindo: Vai preso quem não tem poder aquisitivo para pagar propina, para comprar sua manutenção da liberdade (os micro e pequenos traficantes, desses que vemos aos montes nos jornais, delegacias e penitenciárias). A corrupção vai além do mero pagamento de propina. Parte considerável dos policiais, mal remunerados e com menor poder de fogo que os traficantes, acaba por se associar, em maior ou menor escala ao tráfico, a fim de usufruir de segurança e uma parte dos altos lucros.

Contudo, mesmo que fosse possível um poder público incorruptível, ainda assim haveria manipulação e seletividade. Isto porque cabe ao policial filtrar os casos que serão levados ao conhecimento público (os que serão denunciados) e, por conseguinte, conhecidos pelos juízes, e aqueles que serão por ventura enviados para as prisões. Os juíz julga aquilo que lhe é apresentado, com base no que lhe é apresentado, isto é, os casos previamente decididos pela polícia. Logo, se a sociedade como um todo parte do estereótipo de que o pobre (geralmente negro) é comumente o bandido, pelo motivo que lhe aprouver, os policiais, que fazem parte dessa sociedade massificada, reproduzem em sua atuação e pré julgamento o mesmo conceito. E é óbvio que essa primeira tipificação realizada pelos policiais influi de modo decisivo no processo que se seguirá. A sentença já começa a ser traçada na escolha do policial de enquadrar ou não o indivíduo como traficante (com base em critérios puramente subjetivos, pois a lei se absteve de fazê-los taxativamente), depois na decisão entre registrar ou não a ocorrência, indiciando ou não o suspeito, e até no modo como será conduzido o interrogatório e montagem dos autos que serão enviados ao Promotor.

O medo profundo que foi incutido e disseminado na sociedade de drogas como maconha e cocaína acabaram por conferir um imenso poder discricionário à polícia, que por consenso mais que geral, é despreparada para as suas funções. Em razão desse "prenda quem puder", os principais prejudicados são, como dito antes, os micro e pequeno traficantes, que estão nas ruas a realizar várias transações de mínima importância ao dia, à mercê de serem facilmente capturados em qualquer "batida policial". Os grandes traficantes fazem poucas transações, com grande quantidade, em segurança, e dificilmente são pegos.

Esta realidade tem por fim um aumento de prisão sem diminuição no tráfico, o que gera maior criminalização, maior repressão, e assim sucessivamente, com um ciclo.

A sociedade cobra, então, maiores penas, sem pensar no problema como um todo, ignorando se esse pedido resolverá ou não a questão, e além, se o Sistema Penitenciário é capaz de absorver tamanha quantidade miseráveis em suas prisões, gerando uma série de violações aos direitos humanos mais basilares.

Resultante: os pequenos e microtraficantes carregam em suas penas o reflexo da ausência de eficácia da política de drogas. Respondem eles penalmente como "culpados indiretos" da não diminuição do tráfico.

Nesse sentido, a Lei Penal, estabelecendo tipos abertos e penas desarrazoadas e desproporcionais, contribui para sua própria ineficácia, concedendo amplos poderes àqueles policiais despreparados, mal remunerados e muitas vezes corruptos, para que optem entre tipificação de uso e de tráfico conforme o caso concreto, e que além do mais não se preocupam em identificar, no caso de tráfico, a posição que o suspeito teria na pirâmide hierárquica. Os juízes, por sua vez, tornam-se reféns dessas informações distorcidas, e aplicam a "justiça" com base na injustiça. Como se não bastassem as omissões legislativas, a Lei de Drogas traz consigo um dispositivo que consegue, se é que é possível, aumentar ainda mais a prática da (in)justiça, vez que a dita Lei veda a liberdade provisória e as penas alternativas, em uma interpretação literal, cuja constitucionalidade é certamente duvidosa, reforçando a exclusão e marginalização social, além da violação do direito basilar que é a liberdade.

Por tudo isso, a conclusão a que se chega com a análise da seletividade, é que o campo jurídico está alienado em si mesmo, servindo a política de drogas como mero simbolismo de proteção à saúde pública (sendo importante questionar aqui quem é cidadão para usufruir da saúde), mantendo sua prática reiterada de repressão e controle social punitivo aos mais pobres e excluídos.

Observação: O que está aqui exposto é fruto de uma reflexão com base na pesquisa coordenada por Luciana Boiteux "Tráfico de Drogas e Constituição", da UFRJ, do ano de 2009 que está disponível neste link  http://portal.mj.gov.br/main.asp?View={329D6EB2-8AB0-4606-B054-4CAD3C53EE73} (é o volume # 01).

Se dez vidas eu tivesse, nas dez eu choraria


Não tenho medo de chorar.
Ou as lágrimas saem do meu coração ou o meu coração sai de mim, e como suicídio nunca foi uma possibilidade...
Mas pior do que chorar é não chorar.
Eu sei que vai passar, tudo passa nesse mundo.
O tempo faz a lágrima secar, o corpo acalmar e o sono voltar.
Mas enquanto o tempo não cumpre sua função de me acalmar, eu morro um pouquinho por dentro.
O que eu sinto?
Não sei, talvez um peso imenso, talvez um imenso vazio, talvez o desespero, talvez a apatia.
Talvez eu esteja sentindo o que Deus reservou pra mim...

"Ai, que saudade que eu tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida..."

Eu não sei se alguém além de mim lê os meus textos. Se existir, por favor, desconsidere esta e as próximas publicações, elas são muito mais para mim do que para qualquer outra pessoa. E escreverei aqui para não ter que manter dentro da minha "memória interna". Grata.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Mas que vontade de chorar, de entrar num quarto escuro e lá ficar...
por horas.
Ao som das minhas lágrimas...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

A prática dos tempos verbais


Esbarrei hoje com um outro capítulo do meu passado.
O maior receio de alguém ao colocar outrem no passado é que, no futuro, você se arrependa do que fez ao ver que o presente do seu passado é aquele que te encanta.
Nosso medo do passado é de querer fazer parte do presente dele.
Mas não se muda a ordem do tempo. E, se o passado virou passado, é porque não te servia mais.
Não flerto com o que não me serve, não flerto com o que não me encanta.
Se passou não volta mais.
O presente é do meu passado, nada me liga a um presente que eu excluí, ou que me excluiu.
E se alguém virou passado teu por querer próprio?
E se alguém te colocou no passado dele?
Esse alguém o fez porque você não lhe servia. Você foi descartado. Não supria as expectativas que aquela pessoa tinha para a sua vida.
Claro que dói ser descartado.
Claro que dói virar passado.
Mas de que adianta ser presente na vida do outro, e este outro te ser ausente?
De que adianta planejar teu futuro com alguém que te vê como passado?
Não sonho em ser futuro de quem me vê como pretérito.
Quero ser presente e futuro de alguém presente em mim e eu nele.
Eu vivo o gerúndio, um dia de cada vez.
Mas planejo um futuro, um passo de cada vez.
De vez em quando o passado aparece... e passa.
Passa porque não o deixo ficar.
Só é meu resente quem também me quer presente.
E, se virou passado, meu bem, é porque também queria me virar.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Entrevistando She

Ontem me entrevistaram. Ou melhor, ontem estava conversando e me perguntaram:

 

Por que você não escreve sobre o começo?
Porque no começo eu estou vivendo.

E por que então escreve só sobre o fim?
Porque se já acabou, não se tem como viver. Logo, só me resta escrever.

Você escreve pra não esquecer?
Não, ao contrário, eu escrevo pra poder esquecer. Quanto mais sentimentos nas letras, na tela, menos sentimentos em mim.

E porque os textos e os vídeos? Antes não tinha nem um nem outro nas suas publicações. Por que agora?
Descobri que há algumas fotos e algumas músicas (ou letras de músicas) que já sabem o que eu sinto. Eu, antes de escrever, não sei muito ao certo. Eu escrevo pra ter certeza do que está acontecendo. Quando escuto uma música ou vejo uma imagem que me ajuda a entender o que eu sinto, eu publico junto. Às vezes é como se a letra da música me tivesse lido antes. Ou talvez, como me disseram segunda-feira, eu tente interpretar a letra de modo que me sirva. De qualquer modo, me toca e eu registro.

Escrever é uma maneira de se manter no controle da sua vida?
Antes achava que sim, mas vi que não é bem assim. Na verdade, é exatamente o contrário. Escrever é meu modo de me controlar menos. De me libertar de mim. De não tomar conta de tudo. Quando aquilo vai pro papel, eu fico livre daquela preocupação. Eu não preciso ficar remoendo dentro de mim, desenvolvendo. Eu simplesmente posso olhar o que escrevi e partir dali. Está tudo registrado. E, por saber que está ali, que já foi desenvolvido, eu relaxo.

Você não acha que está escrevendo demais?
Não, eu to escrevendo o que estou vivendo. Então não poderia dizer que estou vivendo demais, poderia?
Estou resolvendo o que precisa ser resolvido comigo mesma.

Está em conflito consigo mesma?
Até que não. Eu estou apenas me descobrindo. Bater de frente com meus pensamentos e sentimentos não é conflito nem guerra, é processo de auto conhecimento e amadurecimento também.

Então por que escrever tanto sobre o passado? Tem medo dele?
Absolutamente. Eu escrevo sobre o passado pra não ter que vivê-lo novamente.

E silêncio. Acho que a pessoa que me entrevistava nunca tinha parado pra pensar na sua relação com seu próprio passado.

Hoje eu sou do samba, amanhã eu não sei, mas o samba vem fazendo parte de mim. E eu, o que sou? "Quem se atreve a me dizer do que é feito o samba?"


Escrevi hoje, logo que acordei, uma lista com encantamentos e desencantamentos.
Identifiquei problemas e propus uma solução.
E me deu uma vontade danada de publicar.
Porque é um texto lindo.
Texto? Mas não era lista?
É, é, é uma lista, mas eu sou prolixa e apaixonada pelas letras, então ficou bonito como um texto daqueles em que a gente pensa por horas. Mas eu não precisei pensar tanto assim.

Porque, bem ou mal, eu já tinha falado tudo aquilo em maior ou menor escala antes.
E da solução que encontrei, ela já povoava minha mente fazia um tempo...
Talvez tenha sido mais direta dessa vez do que nas escalas passadas.
Talvez tenha sido mais clara.
Ou talvez não faça a menor diferença, porque o texto só é compreendido quando o leitor o quer.

Como leitora dos meus textos... é lindo.
Como autora dos meus textos... é essencial, talvez.
Como parte um do número par dois... não faço idéia.

Mas que vontade de mostrar pra minha amiga ou pro meu amigo e conversar sobre o assunto com eles. Gosto de conversar com meus amigos antes. Mesmo que a decisão já tenha praticamente sido tomada. Gosto de ouvir a opinião deles, colher os louros ou os tomates.
O que vale sou eu, mas eles valem muito pra mim. Logo, eles estão contidos no meu "eu".

"Não, eu não sambo mais em vão
O meu samba tem cordão
O meu bloco tem sem ter e ainda assim
Sambo bem à dois por mim
Bambo e só, mas sambo, sim
Sambo por gostar de alguém, gostar de...

...Me lava a alma, me leva embora
Deixa haver samba no peito de quem..."

segunda-feira, 16 de maio de 2011

"Esse é só o começo do fim"? - fragmentos de um dia que mal começou


"Você é puro amor
exala paixão
é a pessoa mais romantica que conheço"

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"Toc toc?" bateu o meu passado à porta, perguntando como está o meu presente.

Mas de que presente poderia eu responder, se não sei dos tempos verbais mais do que aquilo que aprendi nas músicas, nas letras, nos livros de manuais?
Não quero passado, presente ou futuro, quero criar um tempo verbal só pra mim, só meu, meu tempo novo.
Perguntei ao passado como estava o seu presente.

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"Se não há nada melhor do que te abraçar por horas, sem falar, sem tentar entender, te explicar.
É complexa mesmo, complexa e cativante.
Apaixonada pela vida, pelos outros.
Tanto que a gente se apaixona pelo sua paixão, pelo seu amor ao mundo.
Complexa mesmo, mas maravilhosa"

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Como tantas rugas em algo tão novo?
Será o alimento errado?
Será a semente inapropriada pra terra?
Será a terra infértil?
Será a semente daninha pra si, pro solo?
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"Triste", disse ele.
Triste também estou.
Quanta tristeza pode caber num passado que já passou?
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Queria correr pra me esconder, mas como me esconder de mim?

Hein?


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"Já é chegada a hora" de que?
Me pediram pra escrever.
Justo agora, que me sinto uma analfabeta.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Que papo é esse, blogger?

Minha primeira letra de música na língua inglesa e você SOME com o trabalho?
Que coisa horrível!

quinta-feira, 12 de maio de 2011

He

Ao ritmo de She

He maybe the best or the bad
Maybe the man I can't forget
Maybe the first love that I've ever had.

He maybe the tears or the fears.
Maybe the one that makes me feel
Another girl another time, but not the same.

He can tell me what he wants to be
I will try to see what it means
So that we can get something new, something for us.

He maybe the truth or the lie
Maybe the thought that I can't hide
Maybe the day or the night
Maybe what I can't find.

He the most confused on the world
But He's the strange that I like most
The guy that makes me smile everytime I see.

He can never read what I wrote
Can never get what I say
But doesn't matter 'cause I feel it anyway.

terça-feira, 10 de maio de 2011

She

Ler ao som de She

"Ninguém entende, só eu

Menina que desde pequena sofre,
menina não mais,
simplesmente uma mulher.
Alta, bonita, inteligente e astuta,
mas para mim
ela é apenas uma garota não compreendida,
que procura a felicidade.
'Onde está a felicidade?' ela se perguntava.
Diz que não estamos unidas só por sermos
filhas dos mesmos pais,
mas porque nós nos entendemos.
Ela pedia todos os dias para eu nascer
implorava e chorava, ela só queria
alguém pra dividir tudo, e conseguiu.
Hoje, Nathália me conta tudo.
E fala que encontrou a sua felicidade."

Escrito por Ela, escrito pra mim.
Letras na tela, amor no coração.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O passado não passou porque foi alimentado

Ler ao som de I found a reason
Não te preocupas com aquilo que não vê.
Ao contrário, preocupe-se com aquilo que não sente.
Pois o que não vemos ou sabemos acontece mesmo que desconheçamos.
Mas aquilo que não mais sentimos... não é mais porque deixamos.

Não planeje mais do que os próximos minutos.
Pois se muito planejar, talvez se esqueça de viver.

E, mais do que tudo, não tente mais do que o outro.
Tente na medida do seu querer e do seu poder.
Os fantasmas que não os teus não te pertencem.

E, os que são teus, aniquile-os de uma vez por todas
O que alimenta um fantasma do passado é teu pensamento, é a fresta da porta aberta, é a luz acesa, é a falta de crédito ao amor presente.


"O que vem é melhor do que o que veio antes"

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Cada um tem a sua própria digital. A tua está gravada em mim

Como saber do futuro?
Sei apenas do meu passado e com sorte do meu presente.
Meu futuro a Deus pertence.

Sei que por agora não ando em direção oposta à sua.
Ando em direção a mim mesma, vou ao meu encontro.
Se, com o tempo teu, com o tempo de Deus, você se encontrar...
Se, na direção que caminhar, eu lá estiver caminhando...
Se, ao se encontrar, me encontrar também...
Então, meu bem, seremos...

Do tempo e seus elementos passados

Foi-se o tempo em que me apaixonava por palavras.
Foi-se, há muito, o nosso tempo.
Naquele tempo eu também me desapaixonava nas palavras.
Hoje, me apaixono e desapaixono nos atos, nos sentimentos e na ausência de ambos.


Nosso tempo passou há anos, só agora tu percebeste.

O meu tempo continua.

domingo, 1 de maio de 2011

Humor de Advogado I (rir é um processo)

O que é um recurso adesivo?
Não sei, inventei, mas se colar, colou.

No que consistem os requisitos de admissibilidade dos recursos?
São os requisitos essenciais para que o recurso seja admitido.

Se você recorre e o relator nega por considerar o recurso inadequado, o relator está certo?
Se fui eu que recorri, não. Se fosse a outra parte, estaria corretíssimo.

Qual o recurso cabível?
Se eu for a recorrente, todos.

Formule as razões da sua apelação e analise-as.
Como fui eu que formulei, acho perigoso eu mesma analisar.

Você acha que a coisa julgada pode ser relativizada?
Depende...

O que o direito espera do duplo grau de jurisdição?
O direito eu não sei, mas eu acho que podia duplicar a minha nota.

Frutos da minha prova de Processo Civil