
Ontem me entrevistaram. Ou melhor, ontem estava conversando e me perguntaram:
Por que você não escreve sobre o começo?
Porque no começo eu estou vivendo.
Porque no começo eu estou vivendo.
E por que então escreve só sobre o fim?
Porque se já acabou, não se tem como viver. Logo, só me resta escrever.
Porque se já acabou, não se tem como viver. Logo, só me resta escrever.
Você escreve pra não esquecer?
Não, ao contrário, eu escrevo pra poder esquecer. Quanto mais sentimentos nas letras, na tela, menos sentimentos em mim.
Não, ao contrário, eu escrevo pra poder esquecer. Quanto mais sentimentos nas letras, na tela, menos sentimentos em mim.
E porque os textos e os vídeos? Antes não tinha nem um nem outro nas suas publicações. Por que agora?
Descobri que há algumas fotos e algumas músicas (ou letras de músicas) que já sabem o que eu sinto. Eu, antes de escrever, não sei muito ao certo. Eu escrevo pra ter certeza do que está acontecendo. Quando escuto uma música ou vejo uma imagem que me ajuda a entender o que eu sinto, eu publico junto. Às vezes é como se a letra da música me tivesse lido antes. Ou talvez, como me disseram segunda-feira, eu tente interpretar a letra de modo que me sirva. De qualquer modo, me toca e eu registro.
Escrever é uma maneira de se manter no controle da sua vida?
Antes achava que sim, mas vi que não é bem assim. Na verdade, é exatamente o contrário. Escrever é meu modo de me controlar menos. De me libertar de mim. De não tomar conta de tudo. Quando aquilo vai pro papel, eu fico livre daquela preocupação. Eu não preciso ficar remoendo dentro de mim, desenvolvendo. Eu simplesmente posso olhar o que escrevi e partir dali. Está tudo registrado. E, por saber que está ali, que já foi desenvolvido, eu relaxo.
Você não acha que está escrevendo demais?
Não, eu to escrevendo o que estou vivendo. Então não poderia dizer que estou vivendo demais, poderia?
Estou resolvendo o que precisa ser resolvido comigo mesma.
Está em conflito consigo mesma?
Até que não. Eu estou apenas me descobrindo. Bater de frente com meus pensamentos e sentimentos não é conflito nem guerra, é processo de auto conhecimento e amadurecimento também.
Então por que escrever tanto sobre o passado? Tem medo dele?
Absolutamente. Eu escrevo sobre o passado pra não ter que vivê-lo novamente.
E silêncio. Acho que a pessoa que me entrevistava nunca tinha parado pra pensar na sua relação com seu próprio passado.
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