Jogo as lembranças ao fogo.
Assim ajo para não deixar vestígios.
Não quero resquícios de um passado que nunca existiu.
Semi-cerro os olhos à meia luz,
o máximo de minha nova escuridão
Palavras me conduzem ao sufocamento.
Pensar me conduz à solidão.
Nathália Jaimovich.
Dia 31 de outubro de 2007 _ ônibus _ 6:30 da manhã
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
O Rio de Janeiro continua lindo
Aparentemente todo carioca já está mais do que ciente de que, na cidade maravilhosa, tempestade é sinônimo de problemas. Alagamentos, engarrafamentos, deslizamentos, mortes, já se tornaram fatos mais do que comuns nesses períodos castigantes do ano.
É um jogo de passa ou repassa. A população culpa as autoridades. As autoridades culpam o planejamento da construção da cidade. A previsão do tempo culpa a natureza. E a natureza e a cidade não podem culpar ninguém. Elas não possuem o dom da fala, ou mãos para passar o abacaxi para outra pessoa.
A falta de planejamento da construção da cidade é gritante. As moradias, as vias urbanas. Todas lindas. Uma maquete da cidade do Rio de Janeiro seria, certamente, admirada pelo mundo. Até as favelas, para o governo pesadelos da atualidade, são conhecidas internacionalmente, e alvo de curiosidade.
A beleza transborda no Rio de Janeiro. Entretanto, a população sabe que não é só beleza que transborda, principalmente no período de chuvas.
Não há com o que se preocupar. O Rio de Janeiro é maravilhoso... ao menos enquanto faz Sol.
Louisiana Teixeira (o primeiro parágrafo) e Nathália Jaimovich.
Dia 29 de outubro de 2007 _ Redação de Português _ 11:15 da manhã
É um jogo de passa ou repassa. A população culpa as autoridades. As autoridades culpam o planejamento da construção da cidade. A previsão do tempo culpa a natureza. E a natureza e a cidade não podem culpar ninguém. Elas não possuem o dom da fala, ou mãos para passar o abacaxi para outra pessoa.
A falta de planejamento da construção da cidade é gritante. As moradias, as vias urbanas. Todas lindas. Uma maquete da cidade do Rio de Janeiro seria, certamente, admirada pelo mundo. Até as favelas, para o governo pesadelos da atualidade, são conhecidas internacionalmente, e alvo de curiosidade.
A beleza transborda no Rio de Janeiro. Entretanto, a população sabe que não é só beleza que transborda, principalmente no período de chuvas.
Não há com o que se preocupar. O Rio de Janeiro é maravilhoso... ao menos enquanto faz Sol.
Louisiana Teixeira (o primeiro parágrafo) e Nathália Jaimovich.
Dia 29 de outubro de 2007 _ Redação de Português _ 11:15 da manhã
Um dia de chuva
Chega a casa depois de passar duas horas em um engarrafamento na Av. Rio Branco. Todos aqueles carros congestionados às 8 horas da noite. Era uma quinta-feira, nem era véspera de feriado!
Abre a porta de casa e vai em direção à janela. Por sorte lembrara de fechá-la naquela manhã. Se não, sua casa provavelmente estaria inundada, exatamente como as ruas da cidade. Não parara de chover nem por um minuto nos últimos dois dias.
A situação estava caótica. Ao menos estava a salvo agora. Percebeu como era bom morar no último andar de um prédio.
Senta no sofá, procura pelo controle remoto. Acha-o debaixo da mesa de centro. Liga a televisão. No momento a repórter afirma que nesse ano, em especial, a natureza resolvera castigar a cidade. Define o ocorrido como “uma catástrofe da natureza”. Desliga a televisão.
Um absurdo. Era incabível culpar a natureza por uma falha humana. Se já é a tempos sabido da constante ocorrência de chuvas na cidade durante certa época do ano, é de se esperar que as autoridades competentes tratem do assunto tentando evitar ao máximo que situações como as dos últimos dias aconteçam.
Um melhor planejamento nas construções de moradia e dragagem dos rios que cortam a cidade já seria o suficiente para amenizar o problema. Isso sem levar em consideração que os “desastres naturais” são, se não causados, ao menos parte agravados pelas atividades humanas. O lixo jogado nas ruas, o crescimento das favelas, os poluentes no mar, desequilibrando o ecossistema já fragilizado do nosso planeta. Como era possível que as pessoas não percebessem isso? São sinais tão claros!
Não seria mais correto informar a população da sua parcela de culpa, a fim de sensibilizá-las a tentar mudar seu modo de agir? Não... seria simples demais.
Liga novamente a televisão e assiste a outro noticiário. Escuta a repórter afirmar categoricamente que a culpa dos desastres era das chuvas de verão. Outubro. Ainda é primavera.Sorri e troca de canal.
Bom, começara a novela.
Nathália Jaimovich.
Dia 29 de outubro de 2007 _ Redação de Português _ 11 da manhã
Abre a porta de casa e vai em direção à janela. Por sorte lembrara de fechá-la naquela manhã. Se não, sua casa provavelmente estaria inundada, exatamente como as ruas da cidade. Não parara de chover nem por um minuto nos últimos dois dias.
A situação estava caótica. Ao menos estava a salvo agora. Percebeu como era bom morar no último andar de um prédio.
Senta no sofá, procura pelo controle remoto. Acha-o debaixo da mesa de centro. Liga a televisão. No momento a repórter afirma que nesse ano, em especial, a natureza resolvera castigar a cidade. Define o ocorrido como “uma catástrofe da natureza”. Desliga a televisão.
Um absurdo. Era incabível culpar a natureza por uma falha humana. Se já é a tempos sabido da constante ocorrência de chuvas na cidade durante certa época do ano, é de se esperar que as autoridades competentes tratem do assunto tentando evitar ao máximo que situações como as dos últimos dias aconteçam.
Um melhor planejamento nas construções de moradia e dragagem dos rios que cortam a cidade já seria o suficiente para amenizar o problema. Isso sem levar em consideração que os “desastres naturais” são, se não causados, ao menos parte agravados pelas atividades humanas. O lixo jogado nas ruas, o crescimento das favelas, os poluentes no mar, desequilibrando o ecossistema já fragilizado do nosso planeta. Como era possível que as pessoas não percebessem isso? São sinais tão claros!
Não seria mais correto informar a população da sua parcela de culpa, a fim de sensibilizá-las a tentar mudar seu modo de agir? Não... seria simples demais.
Liga novamente a televisão e assiste a outro noticiário. Escuta a repórter afirmar categoricamente que a culpa dos desastres era das chuvas de verão. Outubro. Ainda é primavera.Sorri e troca de canal.
Bom, começara a novela.
Nathália Jaimovich.
Dia 29 de outubro de 2007 _ Redação de Português _ 11 da manhã
domingo, 28 de outubro de 2007
Te chego pra perto, te cubro de amor
Eu olhei os seus lábios, te cheguei mais pra perto, falei de nosso futuro incerto, te cobri de amor.
Remexi minha bolsa, procurei o batom, retoquei a maquiagem que você borrou.
Levantei da cama e sai à procura das vestes que você tirou.
Entrei na banheira e nela me afundei para limpar as marcas que você deixou.
Chorei no espelho, desesperada, por não encontrar o sorriso que você levou.
Mas se te olhar outra vez, te chego pra perto, falo do nosso futuro incerto e te cubro de amor.
Nathália Jaimovich.
Dia...
Remexi minha bolsa, procurei o batom, retoquei a maquiagem que você borrou.
Levantei da cama e sai à procura das vestes que você tirou.
Entrei na banheira e nela me afundei para limpar as marcas que você deixou.
Chorei no espelho, desesperada, por não encontrar o sorriso que você levou.
Mas se te olhar outra vez, te chego pra perto, falo do nosso futuro incerto e te cubro de amor.
Nathália Jaimovich.
Dia...
Prova de Filosofia, 2º trimestre. 2007
Tudo está perfeito!...?
A sociedade se revolta. Todos comentam pela manhã o ocorrido. Está em todas as revistas e todos os jornais (na capa!). O vilão da novela tenta matar o mocinho!
Esse é o tema das conversas em todos os cantos do país. No jornal também está presente, no canto inferior esquerdo, escondido entre o resultado da loteria e a previsão do tempo para o feriado, a notícia: “Encontrado os documentos que comprovam o uso indevido do dinheiro público por partes de senadores”. Mas quem se importa? É sexta-feira! Dia de tomar chopp com os amigos ou ir ao cinema assistir ao “Duro de matar 4.0”.
A vida está ótima! No sábado haverá liquidação no shopping. “Grandes marcas, pequenos preços”. E domingo é a final do campeonato. Tudo está sob controle. As pessoas estão sob controle! Todas elas! Usam o mesmo estilo de roupa, comem as mesmas coisas, vão aos mesmos lugares, falam sobre o mesmo assunto.
Algo está errado... Não na novela. No final dela os protagonistas ficam juntos e são felizes para sempre! Já o antagonista vai para a cadeia, depois de desobedecer às leis. Perfeito!
As pessoas se esquecem de pensar. A escolha mais difícil a ser feita é qual canal de televisão escolher ou qual roupa comprar. Estão todos alienados. Atualmente o remédio para a tristeza e a solidão é o cartão de crédito. Se as coisas não vão bem é porque ainda não temos o celular novo. Certamente ele resolveria tudo... tem até câmera de alta resolução!
Procuram nos produtos as respostas. Procuram nas lojas ou em frente à fina transparência de uma tela o que encontra-se neles mesmos, o que está quase esquecido... A opinião agora pode ser encontrada nas bancas, a consciência já está sendo elaborada e, em breve, estará nas prateleiras das melhores lojas.
Seria possível deixar a população pensar sozinha, sem interferência da mídia?... Não. Seria perigoso demais.
Nathália Jaimovich.
Agosto de 2007
A sociedade se revolta. Todos comentam pela manhã o ocorrido. Está em todas as revistas e todos os jornais (na capa!). O vilão da novela tenta matar o mocinho!
Esse é o tema das conversas em todos os cantos do país. No jornal também está presente, no canto inferior esquerdo, escondido entre o resultado da loteria e a previsão do tempo para o feriado, a notícia: “Encontrado os documentos que comprovam o uso indevido do dinheiro público por partes de senadores”. Mas quem se importa? É sexta-feira! Dia de tomar chopp com os amigos ou ir ao cinema assistir ao “Duro de matar 4.0”.
A vida está ótima! No sábado haverá liquidação no shopping. “Grandes marcas, pequenos preços”. E domingo é a final do campeonato. Tudo está sob controle. As pessoas estão sob controle! Todas elas! Usam o mesmo estilo de roupa, comem as mesmas coisas, vão aos mesmos lugares, falam sobre o mesmo assunto.
Algo está errado... Não na novela. No final dela os protagonistas ficam juntos e são felizes para sempre! Já o antagonista vai para a cadeia, depois de desobedecer às leis. Perfeito!
As pessoas se esquecem de pensar. A escolha mais difícil a ser feita é qual canal de televisão escolher ou qual roupa comprar. Estão todos alienados. Atualmente o remédio para a tristeza e a solidão é o cartão de crédito. Se as coisas não vão bem é porque ainda não temos o celular novo. Certamente ele resolveria tudo... tem até câmera de alta resolução!
Procuram nos produtos as respostas. Procuram nas lojas ou em frente à fina transparência de uma tela o que encontra-se neles mesmos, o que está quase esquecido... A opinião agora pode ser encontrada nas bancas, a consciência já está sendo elaborada e, em breve, estará nas prateleiras das melhores lojas.
Seria possível deixar a população pensar sozinha, sem interferência da mídia?... Não. Seria perigoso demais.
Nathália Jaimovich.
Agosto de 2007
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
A tal segunda chance
As batidas cada vez mais rápidas, sem sentido, sem seguir nada.
As batidas arritmadas se intensificaram quando deitei em seu peito?
Quando senti seu coração batendo?
Como queria que batesse por mim também.
Como seria boa uma segunda chance. Uma de verdade. Não quero perder algo pra alguém. Já perdi muito para a morte, e com essa não há como lutar contra. É mais forte. Mas um ser vivo tendo oportunidade de tentar outra vez... como não querer?
Como afirmar com tanta certeza? Categoricamente? Baseado em que?
Um não sabe do outro. Assim agindo, como irão algum dia saber?
Privando-se do contato mais vivo de todos.
Não acredito mais no amor, não acredito mais em coisa alguma. A vida me foi tirada, a segunda chance também. Quero só voltar no tempo para, se não mudar nada, ao menos aproveitar melhor o que já vivi. Dar mais valor ao que aconteceu, ao que senti.Não sei mais nada. O filme imita a realidade?Acho que não... filmes tem final feliz... e a vida... na vida só se tem felicidade quando se morre.
Nathalia Jaimovich.
Dia 26 de outubro de 2007
As batidas arritmadas se intensificaram quando deitei em seu peito?
Quando senti seu coração batendo?
Como queria que batesse por mim também.
Como seria boa uma segunda chance. Uma de verdade. Não quero perder algo pra alguém. Já perdi muito para a morte, e com essa não há como lutar contra. É mais forte. Mas um ser vivo tendo oportunidade de tentar outra vez... como não querer?
Como afirmar com tanta certeza? Categoricamente? Baseado em que?
Um não sabe do outro. Assim agindo, como irão algum dia saber?
Privando-se do contato mais vivo de todos.
Não acredito mais no amor, não acredito mais em coisa alguma. A vida me foi tirada, a segunda chance também. Quero só voltar no tempo para, se não mudar nada, ao menos aproveitar melhor o que já vivi. Dar mais valor ao que aconteceu, ao que senti.Não sei mais nada. O filme imita a realidade?Acho que não... filmes tem final feliz... e a vida... na vida só se tem felicidade quando se morre.
Nathalia Jaimovich.
Dia 26 de outubro de 2007
terça-feira, 23 de outubro de 2007
Ou será que fui eu?
Me fizeram viver uma série de coisas.
Essa série era reprise.
Me fizeram confiar em palavras aos montes.
Essas palavras eram falsas.
Me fizeram rir de piadas.
As piadas eram sobre mim.
Me fizeram acreditar em contos de fadas.
Contos contados por bruxas.
Me fizeram pensar que tudo estava errado.
O errado dependia do referencial.
Me fizeram fazer tantas juras.
Juras de coisas que nem nunca existiram.
Me fizeram sorrir quando queria chorar.
Sorrio por todos os cantos, sem mesmo pensar.
Me fizeram esquecer minhas memórias.
Agora nem lembro mais o que me fazem.
Ou será que quem fez fui eu?
Nathália Jaimovich.
Dia 23 de outubro de 2007
Essa série era reprise.
Me fizeram confiar em palavras aos montes.
Essas palavras eram falsas.
Me fizeram rir de piadas.
As piadas eram sobre mim.
Me fizeram acreditar em contos de fadas.
Contos contados por bruxas.
Me fizeram pensar que tudo estava errado.
O errado dependia do referencial.
Me fizeram fazer tantas juras.
Juras de coisas que nem nunca existiram.
Me fizeram sorrir quando queria chorar.
Sorrio por todos os cantos, sem mesmo pensar.
Me fizeram esquecer minhas memórias.
Agora nem lembro mais o que me fazem.
Ou será que quem fez fui eu?
Nathália Jaimovich.
Dia 23 de outubro de 2007
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
...Ou não
Já amei e fui amada, já amei e não fui compreendida, já amei e não soube, já fui amada e não soube corresponder.
Já chorei sem motivo, já chorei com motivos que não entendia, já chorei por pessoa que não merecia, já chorei de tanto rir, já ri de tanto chorar.
Já abracei com abraço de amigo, já abracei fingindo abraçar, já abracei querendo beijar, já sofri por não poder abraçar.
Já beijei amigo querido, já beijei futuros amigos, já beijei quem não deveria.
Já sonhei com coisas estranhas, já sonhei sonhos não sonhados, já acabei sonhos inacabados.
Já vivi amores e desamores, lágrimas, abraços, beijos e sonhos.
Talvez agora esteja pronta para viver a realidade.
...Ou não.
Nathália Jaimovich.
Dia 15 de outubro de 2007
Já chorei sem motivo, já chorei com motivos que não entendia, já chorei por pessoa que não merecia, já chorei de tanto rir, já ri de tanto chorar.
Já abracei com abraço de amigo, já abracei fingindo abraçar, já abracei querendo beijar, já sofri por não poder abraçar.
Já beijei amigo querido, já beijei futuros amigos, já beijei quem não deveria.
Já sonhei com coisas estranhas, já sonhei sonhos não sonhados, já acabei sonhos inacabados.
Já vivi amores e desamores, lágrimas, abraços, beijos e sonhos.
Talvez agora esteja pronta para viver a realidade.
...Ou não.
Nathália Jaimovich.
Dia 15 de outubro de 2007
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
Poeminha
Recordo-me de você saltitando pelo campo,
Escondendo-se atrás das árvores,
Sorrindo para mim.
E a sensação de estar completa,
O coração repleto de alegria.
Éramos dois, éramos um.
Minha mão em sua cabeça,
Fazendo carinho,
Dizendo doces palavras.
Agora você me abandona,
Vai embora,
E sei que nada será como antes.
Sentada diante disso tudo
Me pergunto:
Teriam eles o direito de te transformar em alimento?
Nathalia Jaimovich
Dia 08 de novembro de 2007 _ 6:30 p.m.
Escondendo-se atrás das árvores,
Sorrindo para mim.
E a sensação de estar completa,
O coração repleto de alegria.
Éramos dois, éramos um.
Minha mão em sua cabeça,
Fazendo carinho,
Dizendo doces palavras.
Agora você me abandona,
Vai embora,
E sei que nada será como antes.
Sentada diante disso tudo
Me pergunto:
Teriam eles o direito de te transformar em alimento?
Nathalia Jaimovich
Dia 08 de novembro de 2007 _ 6:30 p.m.
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
Os lados

Não tenho nem forças para competir.
É uma prova desonesta, desigual.
Quando um lado conhece todos os segredos, usa-os.
Quando o outro está perdido em seus próprios medos, angústias, receios...
Quando um lado já teve todo o amor e carinho.
Quando o outro está sempre no escuro.
Quando um lado nunca será esquecido.
Quando o outro nunca é lembrado.
Quando um lado é sempre bem recebido
O outro lado nem sabe se está ao seu lado.
Quando um lado tem o manual.
Quando o outro não tem nem garantia.
Quando um lado se sente, pressente.
O outro lado nem sabe se existe.
Nathália Jaimovich.
Dia 5 de outubro de 2007
É uma prova desonesta, desigual.
Quando um lado conhece todos os segredos, usa-os.
Quando o outro está perdido em seus próprios medos, angústias, receios...
Quando um lado já teve todo o amor e carinho.
Quando o outro está sempre no escuro.
Quando um lado nunca será esquecido.
Quando o outro nunca é lembrado.
Quando um lado é sempre bem recebido
O outro lado nem sabe se está ao seu lado.
Quando um lado tem o manual.
Quando o outro não tem nem garantia.
Quando um lado se sente, pressente.
O outro lado nem sabe se existe.
Nathália Jaimovich.
Dia 5 de outubro de 2007
terça-feira, 2 de outubro de 2007
O dia em que não te vi
Afunda na cadeira, solta os cabelos deixando-os cair sobre seus olhos. Abre a mochila, procura preguiçosamente as folhas de fichário jogadas dentro dela. Tateia e encontra o celular. Solta-o imediatamente.
Folha na mesa, estojo aberto, lapiseira nele, borracha fora.
Encara o quadro. Repleto de matéria. Perdera boa parte da aula. Percebe que o professor está falando faz mais de 40 minutos. Não escutara. Poderia perder o resto.
Três lapiseiras. Qual usar? Uni-duni-tê... A verde. Confortável. Pode escrever horas seguidas com ela sem sequer se incomodar.
Bate os dedos na mesa aleatoriamente. Olha através da janela pela fresta que a liga com o corredor, com o motivo do seu incômodo.
Ah, chega! Coloca o celular na mesa. Nenhuma mensagem, nenhuma ligação. Põe-se a escrever com grande entusiasmo. Primeiro verso feito. Fofo. Não sai dele. Teria direito de reclamar? “Direito de Sublevação” – a única coisa na qual prestara atenção nas aulas durante toda a manhã. Adorara aquela palavra... SUBLEVAÇÃO. Pensara nunca haver chance de usar. Pois bem, chegara a hora.
Nunca criticar algo, alguém ou uma situação sem ter algum domínio ou poder sobre elas. Não tinha verdadeiramente poder algum. Nem teórica nem praticamente. Aquela situação a chateara, ponto. Precisava reaprender a guardar seus sentimentos para si.
Pega a borracha há tempos na mesa, usa-a. No papel agora já não restava palavra, nem sombra, mal se viam as marcas de pressão exercidas pelo grafite.
Usa a folha para copiar o que está no quadro negro, começa a captar as informações ditas pelo professor. Queria ter o domínio da matéria, precisava opinar sobre alguma coisa.
Nathalia Jaimovich.
Dia 02 de outubro de 2007. (11 p.m.) aula de geografia
Folha na mesa, estojo aberto, lapiseira nele, borracha fora.
Encara o quadro. Repleto de matéria. Perdera boa parte da aula. Percebe que o professor está falando faz mais de 40 minutos. Não escutara. Poderia perder o resto.
Três lapiseiras. Qual usar? Uni-duni-tê... A verde. Confortável. Pode escrever horas seguidas com ela sem sequer se incomodar.
Bate os dedos na mesa aleatoriamente. Olha através da janela pela fresta que a liga com o corredor, com o motivo do seu incômodo.
Ah, chega! Coloca o celular na mesa. Nenhuma mensagem, nenhuma ligação. Põe-se a escrever com grande entusiasmo. Primeiro verso feito. Fofo. Não sai dele. Teria direito de reclamar? “Direito de Sublevação” – a única coisa na qual prestara atenção nas aulas durante toda a manhã. Adorara aquela palavra... SUBLEVAÇÃO. Pensara nunca haver chance de usar. Pois bem, chegara a hora.
Nunca criticar algo, alguém ou uma situação sem ter algum domínio ou poder sobre elas. Não tinha verdadeiramente poder algum. Nem teórica nem praticamente. Aquela situação a chateara, ponto. Precisava reaprender a guardar seus sentimentos para si.
Pega a borracha há tempos na mesa, usa-a. No papel agora já não restava palavra, nem sombra, mal se viam as marcas de pressão exercidas pelo grafite.
Usa a folha para copiar o que está no quadro negro, começa a captar as informações ditas pelo professor. Queria ter o domínio da matéria, precisava opinar sobre alguma coisa.
Nathalia Jaimovich.
Dia 02 de outubro de 2007. (11 p.m.) aula de geografia
Assinar:
Postagens (Atom)