terça-feira, 2 de outubro de 2007

O dia em que não te vi

Afunda na cadeira, solta os cabelos deixando-os cair sobre seus olhos. Abre a mochila, procura preguiçosamente as folhas de fichário jogadas dentro dela. Tateia e encontra o celular. Solta-o imediatamente.
Folha na mesa, estojo aberto, lapiseira nele, borracha fora.
Encara o quadro. Repleto de matéria. Perdera boa parte da aula. Percebe que o professor está falando faz mais de 40 minutos. Não escutara. Poderia perder o resto.
Três lapiseiras. Qual usar? Uni-duni-tê... A verde. Confortável. Pode escrever horas seguidas com ela sem sequer se incomodar.
Bate os dedos na mesa aleatoriamente. Olha através da janela pela fresta que a liga com o corredor, com o motivo do seu incômodo.
Ah, chega! Coloca o celular na mesa. Nenhuma mensagem, nenhuma ligação. Põe-se a escrever com grande entusiasmo. Primeiro verso feito. Fofo. Não sai dele. Teria direito de reclamar? “Direito de Sublevação” – a única coisa na qual prestara atenção nas aulas durante toda a manhã. Adorara aquela palavra... SUBLEVAÇÃO. Pensara nunca haver chance de usar. Pois bem, chegara a hora.
Nunca criticar algo, alguém ou uma situação sem ter algum domínio ou poder sobre elas. Não tinha verdadeiramente poder algum. Nem teórica nem praticamente. Aquela situação a chateara, ponto. Precisava reaprender a guardar seus sentimentos para si.
Pega a borracha há tempos na mesa, usa-a. No papel agora já não restava palavra, nem sombra, mal se viam as marcas de pressão exercidas pelo grafite.
Usa a folha para copiar o que está no quadro negro, começa a captar as informações ditas pelo professor. Queria ter o domínio da matéria, precisava opinar sobre alguma coisa.

Nathalia Jaimovich.
Dia 02 de outubro de 2007. (11 p.m.) aula de geografia

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