quarta-feira, 25 de março de 2009

Se o conhecimento é sempre real e verdadeiro, conheça-me

Seria ela capaz de fazê-lo Amar? Não Amar genericamente, pois ele já ama: ama seus ideais, suas crenças, mas Amar como homem, ou melhor, Amá-la como mulher?
Como arrebatar quando não se quer, mas sim quando se sonha?
Como ser desejável, como encantar se cai em rubor apenas pela idéia de chegar perto? Se cala mesmo que já não esteja falando? Se é boba, se não articula as palavras, se não olha, mas sim admira. Admira de olhos fechados, tendo em vista que não possui o ímpeto de olhar-lhe os olhos.
Aqueles olhos límpidos, puros, que enchem os olhos dela de lágrimas, como em emoção, como em imaginação de tê-los perto dos seus. Mas não o têm. E não os terá, visto que se petrifica, visto que não sabe arriscar quando tem muito a perder. O que ela tem a perder? Pode perder a esperança que tem de algum dia ganhar.
A perda de esperança de ter só não é maior do que a certeza de que não tem.
Como desejava chegar perto daqueles olhos, e não é beijá-los simplesmente, é estar perto. É encostar-se distraidamente nele, de modo que ele nem perceba e, se o fizer, que não se afaste, que não imagine e que não encoste nela também, pois, se o fizesse, desfacelar-se-ia ela ao toque, desfacelar-se-ia nele.
E tomaria para si as lutas dele, e marchariam juntos, contra a corrente, e conheceriam o mundo, e conheceriam-se no mundo, e ela seria aquela que ele Amaria, ele seria aquele que talvez ela já Amasse e apenas não sabia.
Nathália Jaimovich
20/03/2009

Um comentário:

Paulo Fernando disse...

que doidera! Um dos seus melhores textos que já li... Mt bom...