Conversavam em grupo sobre assunto qualquer, quando as garotas a sua frente comentaram, de repente animadas, que o menino mais lindo vinha em direção a elas, sorrindo, e se derretiam com aquela visão.
Ela não olhou para trás, não daria a ele, seja lá quem fosse, o gostinho de ver mais uma a suspirar. Não se moveu, continuando a falar sobre o que quer que estivessem falando antes e não lembrava.
Aproximou-se dela por trás, afastou-lhe os cabelos da nuca enquanto levou os lábios próximos ao seu ouvido e pôs-se a cochichar-lhe algo.
Sentiu seu corpo inteiro vibrar ao som daquelas palavras incompreensíveis. Um ar quente tomava-lhe conta da face, o ar e o hálito dele arrepiavam-na toda.
Imaginou qual seria a reação ocorrente se aquele ar dele não se restringisse ao pescoço, mas tomasse todo o corpo, com sopros e respirações ofegantes ao vê-la sem barreiras.
Em alguns momentos os lábios roçavam na ponta da orelha, permitindo um rápido contato físico entre os corpos, sendo este feito com naturalidade. Se aqueles lábios se movessem mais um pouco, se tocassem-na na face, nas maças do rosto, e viesse ao encontro dos lábios e roçasse ali, os lábios dele nos lábios dela, com leves toques, rápidos encontros, ou demorados...
A língua que nele se movia propiciando a fala, nos lábios o faria propiciando o beijo, umedecendo-os e, dentro da boca propriamente, mas dentro da boca dela, promoveria o experimento de sabores, o conhecimento oral e detalhado do interior do outro, passando pelos dentes brancos, mordiscando-lhe os lábios, pressionando-os entre os dele, deixando-se ser pressionado igualmente. Encontrar, enfim, a língua dela, senti-la por completo, beijar-lhe até ter lábios e língua dormentes.
Poderia então seguir viagem, descer mais um pouco e se afogar na curva daquele pescoço feminino e longilíneo, explorar todos os receptores sensoriais através daquela boca sussurrante.
Continuando o percurso, encontrar-se-ia com seus seios, e o peito palpitante os fariam ser ainda mais desejados e aconchegantes, perdendo os lábios a língua, envolvidos na profundidade de seu respirar. Mediria-os pelo diâmetro de uma boca aberta a esperar de sabor.
Arrastaria aqueles lábios macios no corpo dela, macio, até tê-la indefesa, contraída, a espera de abertura.
Sem empecilhos naturais, iria beijá-la de leve, mordiscando-lhe a virilha, relaxando-a, enlouquecendo-a paulatinamente, enlouquecido para enlouquecê-la por completo. Buscaria com a boca desarmá-la, e o faria, no ponto mais sensível, encontrar-se-ia com o que era, indiretamente, sua própria fonte de prazer.
Chegaria discretamente, conquistando-a e, tendo tomado-a para si, provocaria, para contentamento próprio, ruídos e gemidos que lhe servissem não como troféu de uma busca bem sucedida, mas como prova de uma exploração envolvente e incontestável de alegria e bem estar. E bem estaria aquele conjunto – lábios, língua e dentes – composto pela boca a fazer ambos soarem, quando em face dela a certeza do gozo e orgasmo mostraria-se presente. Amoleceria então o corpo e a face em um sorriso.
E em sorriso despertou do devaneio que a possuíra tanto quanto aquela boca poderia possuí-la se assim o desejasse.
Mas o desejo daquele cochicho não era sensual, tampouco possessivo, e o que aqueles lábios lhe confidenciaram nada lhe significaram.
Quem disse, na verdade, foram os olhos que, ao se afastarem dos olhos do grupo, piscaram-lhe discretamente.
Nathália Jaimovich
Nathália Jaimovich
2 comentários:
Ah-HÁ
Vi esse texto em primeiro mão...
Nat, mas que ornamental e tórrida retratação desta deliciosa sensação carnal. :) I love it.
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