quinta-feira, 12 de março de 2009

Cotidiano do Amor que nunca foi

Risadas na manhã de domingo à sombra da árvore de um parque qualquer, beijos rápidos de lábios adocicados com as frutas da estação que estavam a partilhar, ruídos de pássaros que, logo ao lado, se alimentavam dos resquícios daquele convescote particular.
Escapadas das salas, olhares furtivos através da fresta da porta, um sinal discreto acompanhado de um sorriso, uma saída rápida, um beijo escondido, uma alegria encontrada em dia de segunda-feira.
Uma caminhada durante o horário de intervalo, interrompida freqüentemente para um abraço ou um carinho. O toque de um rosto no outro, os corpos que estremecem ao contato, os olhos que se encontram e, mesmo longe, não se vão na terça-feira ensolarada.
O almoço especialmente corrido no meio da semana, onde a companhia vale mais que o alimento, que o alimento para o ser é a presença do outro. Indo juntos até o local de trabalho, desejando uma boa tarde, uma boa noite, apesar de ser claro para ambos que o dia, ou o resto dele, será um revival de lembranças daqueles pouco minutos a dois.
A sessão de cinema para um filme qualquer, em um lugar qualquer, com o encostar no outro, a cabeça nos ombros, o repousar e o ser feliz, imensamente, por duas horas, esquecendo-se dos problemas do dia-a-dia, lembrando-se apenas do respirar e das batidas daquela pessoa que em ti busca e proporciona bem estar no fim da tarde de uma quinta com boa vista.
A noite de sexta, sem feira, num bar, na festa que seja, com música ou silêncio, com álcool ou sem, mas com sorrisos inebriados de um calor humano único, do que quer que seja só seu, só do outro, só dos dois, fazendo os outros dias todos valerem a pena, rodeado de pessoas divertidas, mas envolto de fato em uma só.
Manhã de verão, ondas, balanço do mar, balanço das mãos entrelaçadas, dos corpos arrepiados pela temperatura gelada da água, buscando o esquentar no outro, encontrando nele um refúgio, uma esperança e muitas felicidades.
Todo o Amor do mundo, do mundo de duas pessoas, tudo o que pode ser mas não o é, pois o sentimento em potencial para se desenvolver foi abortado.

10/03/2009

Um comentário:

Paulo Fernando disse...

Muito bom o texto, calouraaa! Excelente mesmo! Bem harmônico e descritivo, levando o leitor ao mundo imaginário das palavras... perfeito!