Se aqueles olhos castanhos fossem não mais castanhos, não menos castanhos, apenas mais intensos.
Não que não fossem curiosos, pois o eram, mas apesar de toda a sensibilidade comedida e bem estar que lhe passavam, esses olhos, Deus Meu, como pode, não choravam!
Cativam-na em medida medida, e provocam o desejo de provocar, brincam em reciprocidade no olhar.
Mas o que esperar de olhos que não choram? Como sonhar com olhos que, em sonho, se sentem tristeza ou dor, agora evitam chorar por Amor?
Como olhos castanhos que não piscam ou lacrimejam podem gerar algo além da indiferença?
Como olhos que não envolvem, dissolvem, dissolvam-na, por favor, pois ela é pedra que chora agora por ter desaprendido a Amar.
Imploro-lhe, dêem a esses olhos castanhos um colírio, para que sintam em plenitude novamente, e que eles tentem, e consigam, desfigurar essa estátua, fazê-la pó, espalhar esse pó pelo mundo, renascer esse Amor outra vez.
Nathália Jaimovich
24/03/2009
3 comentários:
Sinto lhe dizer, mas o colírio é artificial e não trará a plenitude do amor tão desejado. Nem tampouco trará a felicidade de um sentimento realizado.
O colírio seria apenas uma forma de se auto-enganar, ilusão boba e ineficaz!
Se o colírio não traz felicidade de um sentimento realizado, sendo apenas uma forma de auto-enganação boba e ineficaz, o colírio seria, na verdade, o Amor...
Essa foi a melhor coisa que eu li, que vc escreveu, até agora.
Pretendo em breve retomar a minha breve carreira literária, com bem menos brilho, mas já é algo...
beijos, chuchu.
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