terça-feira, 6 de julho de 2010

"No need to say goodbye"*

Trilha do texto: http://www.youtube.com/watch?v=ZgkiUCWbLYg

Vou me libertando aos poucos.
Vou me esquecendo de lembrar de ti.
Vou me esquecendo de falar contigo.
Vou me lembrando de mim.
Vou subindo e descendo aquelas escadas e entrando naquelas salas sem pensar em te encontrar nelas.
E vou, aos poucos, percebendo que você nem me faz bem, nem mal, e que dentro em breve será apenas lembrança. Lembrança vaga como tantas outras. Lembrança que não morre porque faço questão de escrever.
Não escrevo para reviver, escrevo para não deixar passar um aprendizado em vão.
E, apesar de ter saído assim, repentinamente, talvez algum dia eu volte, ou ligue.
Mas não será nada demais, será apenas para me despedir.
Sim, às vezes eu digo Adeus e volto, mas volto apenas para justificar, como que para redimir a saída inesperada de antes.
E, se voltar, não espero que esteja a minha espera, ao contrário.
Não espero nem mesmo te ver, ou falar contigo.
Não tento prever sua reação, isso se houver. Estou, aos poucos, me desapegando da minha profissão de roteirista da vida alheia.
Só escrevo este texto para me lembrar sempre do processo, do processo de esquecimento paulatino.
Escrevo para não esquecer, e assim poderei esquecer em paz, porque, se precisar lembrar, aqui estarão meus sentimentos.

"I'll come back when it's over
Only to say goodbye
"

* Excerto da música "The Call", da Regina Spektor
http://www.youtube.com/watch?v=G7uoC-YTQy8

6 comentários:

Unknown disse...

vc manda muito, parabéns!

uma pergunta: lê Caio F. Abreu?

Unknown disse...

vc manda muito, parabéns!

uma pergunta: lê Caio F. Abreu?

Nathália. disse...

Ah, obrigada pelo elogio, de verdade!
Olha, até onde eu sei eu nunca li. Ao menos de nome eu desconheço. É bom? Você também escreve?

barthesx disse...

Nathália.
Esses teus últimos textos,na verdade,mais especificamente este,me trouxeram imediatamente à memória,esse outro texto de Mário Quintana.
"DO AMOROSO ESQUECIMENTO

Eu agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

Mario Quintana - Espelho Mágico"
Bjosss...Menina bonita.

Nathália. disse...

Doeu tanto este texto de Quintana, mas a dor me lembrou uma Pessoa... "O poeta é um fingidor/ Finge tão completamente,/ Que chega a fingir que é dor/ A dor que deveras sente", do Fernando Pessoa. MUITO obrigada pelo poema, e também pelo elogio. De beleza não sofro, eu sofro é de excessividade de alma.

Libertas disse...

Colocou em "letras na tela" o curso de um sentimento. Ótimo texto, boa música.