sexta-feira, 9 de julho de 2010

O projetor no projetado (errado?)

Pegara o lápis e o papel.
Mentira, pegara o computador e ligara o word.
Não sabia como dizer, ali, a sensação que tinha.
As mãos geladas e as borboletas em revolta.
Mas não era bonito ou romântico.
Era o fruto de um confronto interno exteriorizado minutos antes.
Era dizer para o projetado que ele não era a projeção.
Era dizer, sem dizer, que era ele e que não era ele.
Porque projetou nele o que esperava dele.
E era engano.
Ledo ou triste engano? Não importa, mas engano.
Não sabia como dizer a ele que estava decepcionada, não com ele, mas consigo mesma.
Decepcionada por ter projetado, mais uma vez, uma imagem numa tela.
Ele era a tela.
Não era, contudo, um mero objeto, visto que a projeção tomou por base ele próprio, mas acabou por se confundir a base e o projeto.
Já não sabia mais o que esperar dele e o que esperar de si.
E não sabia se estava frustrada com ele, por não atender suas expectativas, ou consigo mesma, por ter criado expectativas.
Mas o ser humano não vive de imagens?
Então, por que justo com ela era sempre tão complicado?

Visualizara a cena, a situação de conversa: Como explicar isso a ele.

Olha, é o seguinte (pausa)... eu não sei se eu gosto de você ou se eu gosto de quem eu penso que você é ou pode ser. Não sei se gosto de ti ou da imagem que criei de ti, compreende?
Espera, você tá afim de mim?
Não. Quer dizer, não sei. De você como você se enxerga eu acho que não, imagino que não. Mas estou afim de uma parte sua que não sei se te pertence ou se é criação minha. E imagino que não tenho o direito de tentar descobrir se o que imagino que você seja é ou não real, tenho?
Aquilo era ciúmes?
Não. Quero dizer, não tenho ciúmes de você e de quem quer que seja. Só que eu meio que confundo aquele que você de fato é, com aquele que eu achei, acho, não sei, que você fosse ou seja.
Você tinha ciúmes de mim?
Não. Eu tinha ciúmes da personagem que eu acredito/acreditava que você é/era. Se é você e até onde pode ser você essa personagem eu já não sei.
Você é louca. Desculpa, mas você é completamente louca.
Uhm, certo, tudo bem. É isso. Boa noite, se cuida, Adeus.

Fim (?)

2 comentários:

Libertas disse...

Não sei. Foi?

Nathália. disse...

Foi, foi o fim, mas nada do que está no texto aconteceu.