sábado, 17 de julho de 2010

Liberdade, refém de si mesma

Crédito da imagem: Eduardo Szpak Gaievski
Alterações: Nathália Jaimovich
Sinto-me livre para fazer o que quero, mas não estou livre para provocar tristeza nos outros.
Esta liberdade não tenho. E, mesmo se a tivesse, não a exerceria.
Não tenho o direito de decidir sobre a vida alheia, e tenho tentado evitar fazê-lo, evitar escrever o roteiro de uma vida que não minha.
Ocorre que da tua vida eu faço parte, feliz ou infelizmente, não sei dizê-lo nem quero decidir.
E ocorre que devo tomar coragem de ao menos escrever o meu roteiro, de minha vida. E se você a povoa, será machucado. E o será para que eu possa viver, para que eu possa buscar minha felicidade.
Quanto mais livre sou, mais me dou conta de minha dependência, da responsabilidade.
Quanto mais livres somos, mais valorizamos a liberdade alheia, e mais receio temos de cerceá-la.
E tenho medo de interferir na sua liberdade de ser feliz.
Por isso me calo há tanto tempo, repito aquela história por mim já vivida, por ti eu não sei, nem quero sabê-lo.
Quanto mais livre sou, mais refém de ti me encontro.
Refém da tua felicidade.
Se tua felicidade sou eu, sou refém de mim mesma, da minha liberdade.

2 comentários:

Libertas disse...

Se tiver que matar para ser livre, mate. O que você não pode é se matar para manter alguém feliz.

Nathália. disse...

Libertas - boas palavras!
Obrigada por elas!