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Posso falar da chuva que molhou meus cabelos e os deixou ainda mais bagunçados.
Posso falar da calça comprida por demais, que molhava ao andar pela rua.
Posso falar das poças d’água nas quais coloquei o pé ora acidentalmente, ora “dane-semente”.
Posso falar das goteiras que molhavam mais do que a chuva que vinha de cima.
Posso falar do céu azul e limpo e da água que, não sei como, caia dele.
Posso falar do choque térmico constante que era entrar e sair da sala de exposição.
Posso falar das peças que mais me instigaram.
Posso falar do piso bonito e antigo que ninguém podia pisar.
Posso falar das câmeras espalhadas em cada canto e em outros tantos, que me faziam envergonhada ficar.
Posso falar da sala de leitura onde tantos livros me pus a olhar.
Posso falar do banco que a qualquer momento iria no chão me colocar.
Posso falar dos alimentos que dos potes queria tirar.
Posso falar da sensação que o cheiro do grão de café desperta em mim.
Posso falar da construção com escada de madeira toda trabalhada onde, quem diria, funciona um hospital.
Posso falar da busca pelo doce inexistente. Já desisti de encontrar.
Posso falar da tal rua que carro não passa, livremente a passear.
Posso falar dos bancos feitos de concreto, mas confortável pra sentar.
Posso falar das ruas que não conhecia, e passei a adorar.
Posso falar da tarde tão linda de tarde, ou até o dia clarear.
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