domingo, 14 de junho de 2009

Sobre como brinco em letras tendo descoberto o seu amor


Se tantos belos textos foram aqui escritos para ti, ou pensando em ti;
e tantas belas lágrimas tomaram-me para ti, ou pensando em ti;
e quando soube, por suas letras, que nunca fora assim por si, e em si mesmo nunca fora em mim, como achei que o era;
chorei;
não era choro de tristeza, de abandono, era choro de engano;
ledo* engano triste esse que me fez crer, que tu me fizeste crer que me amava de verdade;
não só não me amava de verdade, como nem me amava.
mas meu engano tornou-se ledo quando descobri que também não te amava;
amava eu, na verdade, o que para mim tu significavas.
e achei que, tendo descoberto isto, não mais me significaria;
Triste engano, ainda me significa, apenas não sei o que.
Orgulho ferido, talvez; é possível, orgulho no qual tu pisaste.
Mas se é bom ou ruim, não sei, só sei que não é amor.
E, agora que ama, ou parece amar, peço-lhe apenas que seja tu que a ames, não seus textos.
Triste engano, esqueço-me que teu amor é amor para escrever, não amor para viver.
Boas escritas, poeta.


*Ao contrário do que se pensa, a expressão "ledo engano" não significa "grande engano". Ledo significa alegre, contente, jubiloso. Por isso o paradoxo em "ledo engano triste".

Um comentário:

vale a pena disse...

Gostei da sua poesia. Deixou-me sensibilizada, como se conhecesse você. Espero estar sempre em contato.