sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Que Deus salve o meu estômago

"Que Deus salve o meu estômago", foi o que pensou enquanto as lágrimas se apossavam silenciosamente de si.
Era como se acontecesse uma revolução dentro dela mesma, uma revolução feita por ela.
Resolvera, naquela madrugada, passar seu passado a limpo.
Descobriu ela que tinha escrito muitos rascunhos, e que vê-los causava mal estar.
Descobriu ela que seus rascunhos tinham se passado a limpo, mas em outra folha, em uma que não a pertencia, que ela desconhecia.
Descobriu ela que tinha sentido muito, muito menos do que deveria, muito menos do que gostaria.
Arrependeu-se de não ter sofrido mais, de não ter chorado mil lágrimas, de ter apenas alguns soluços.
Arrependeu-se porque se deu conta de que soluços só não trazem soluções.
A solução que encontrou para si foi olhar. Olhava cada ponto de seu passado, cada coisa que a fez mal, que a faz mal, que poderia, algum dia, fazer-lhe mal.
E chorou. Chorou pouco, até, perto do que achou que poderia chorar.
"Que Deus salve meu estômago", pensou ao sentir o embrulho do nervosismo, pois o coração ela mesma salvara há muito.
O coração, pensou ela com tristeza, estava intacto.


"O passado é uma roupa que não me serve mais"

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