domingo, 14 de março de 2010

Sonho que não sei se sonhamos


Sonhei um sonho que não sei se foi sonho sonhado por ambos.
Sonhei que nos beijávamos e não sei...
Foi sonho mesmo?
Sonhar é imaginar uma realidade que queremos para nós.
Sonhei um sonho sonhado por ti dias antes, sobre o qual escrevi, lembra?
Não, não lembra.
Não lembro também.
Nesse sonho tudo era muito real.
Você era real, eu também, nossas conversas eram reais.
E aquele sorriso que eu disse ser lindo.. era lindo mesmo.
E aquele beijo que você disser ser único... era único mesmo.
E aquilo tudo que nunca tinha acontecido antes... aconteceu.
Contigo, comigo, conosco.
Mas eu acordei.
Acordei, olhei para o lado, não estava ali, fora sonho.
Levantei da cama, sentei em frente à tela e esperei.
Esperei por ti, para contar meu sonho.
E você veio.
Você veio e me disse que aquele sonho, aquele sonho que você sonhou naquele dia, que eu tinha acabado de sonhar e você ainda não sabia, não era pra ter sido sonho, porque ele não era algo que você queria.
Então me despedi de ti, para sempre, daquele jeito bonito dos filmes românticos, cujo fim mais se assemelha aos filmes dramáticos, aos dramas franceses que tanto amo e sobre o qual nunca conversamos.
Despedi-me de ti e aqui estou, como sempre, a escrever não o que vivi, porque isso que está aqui escrito nunca vivi, é tudo mentira, mas para escrever o que senti, quando me senti quando descobri que o sonho meu nunca existiu, porque o sonho seu nunca foi desejado.
Escrevo aqui, agora, pra contar do meu futuro sonhado e do meu presente... ambos passados.
Passeando por aí te descobri, passeando por aqui te esqueci.

3 comentários:

Unknown disse...

Nossa, é um texto bastante poético, o que eu acho muito interessante ao caso. ao usar uma expressão onírica a um termo onírico, o que se tem é uma devida congruência, pois ao conteúdo faz-se amalgamar a forma, aqui dada pela linguagem. gostei, pois o onirismo traz uma idéia de distância muito pertinente ao texto

Nathália. disse...

"Onirismo, s.m. Produção visual de cenas, imagens freqüentemente disparatadas ou confusas, zoopsias, etc., que se sucedem no campo perceptivo óptico, em estado de vigília." Fonte: Dicionário Escolar da Língua Portuguesa, 1992.
Adorei a crítica, obrigada :)

Bruno Adler disse...

Nath! Parabéns! Sinceramente, estou chocado com a sua tremenda facilidade de transmitir sentimento nas suas palavras.