quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Sépia

Sentiu o vento bater em seus cabelos, virou-se na cama e, como o fez sem empecilho, despertou. Abriu os olhos que estranharam a claridade que vinha da parede oposta. Um lençol cobria o seu corpo nu, e os pelos do corpo se eriçavam com o vento.
As roupas estavam pelo chão, perto da cama, mas não as vestiu. Ao invés disso, focou sua atenção para a fonte luminosa. Sentou-se na cama encostando-se à parede e se colocou em posição fetal, com o lençol cobrindo-a até o pescoço.
O homem do outro lado do quarto estava sentado diante da mesa com a luminária, com uma folha de papel e uma caneta de corpo brilhante, provavelmente dourado, e olhava-a sem piscar.
Ela sorriu,
Ele sorriu.
Ele alternava os olhos do papel para ela, mas não conseguia desviar a atenção daquela mulher. Escrevia. Escrevia e fitava-a, fitava-a e escrevia, escrevia sobre o que fitava.
Ela era dele e ele sabia,
Ele era dela e ela sabia.
Mas como um era do outro, não havia obrigação, eles eram deles mesmos.
Ele sorriu,
Ela sorriu,
E coube a caneta registrar o que aconteceu depois.

12 de fevereiro de 2009, 08:45.

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