segunda-feira, 20 de agosto de 2007

A morte do poeta

Não quero perder nem um só minuto.
Não quando há tanto a ser feito.
O corpo se cansa antes da mente, mas a mente a muito não está presente.
Dos vãos escoam pensamentos, que reprimo com medo de verbalizar.
Mas a voz, instrumento poderoso, a muito resolveu se aposentar.
Evito os tremores involuntários, não me mexo com medo de expressar.
Mas o corpo que tanto me preocupa, há tempos parou de funcionar.
Fujo das formatações perigosas, receio que virem versinhos intermináveis.
Mas a mão do poeta está morta, assim como a mente, assim como a voz, assim como o corpo, assim como o poeta.

Nathália Jaimovich.
Dia 20 de agosto de 2007

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