Sobre os amores que vem e vão, sobre a magia do início e a confusão do fim.
Mas todo fim é início de um novo tempo.
Um tempo que finda, só o faz porque há outro por nascer.
Um tempo que finda, só o faz porque há outro por nascer.
E, depois do inverno rigoroso, onde tudo parece morto, as flores mais belas nascem... na primavera.
Mas a primavera ainda demora a chegar.
Agasalha-se no inverno, fita com carinho as árvores desfolhadas, a natureza morta.
Sabe que nada morre, tudo é cíclico.
Tenta se proteger do inverno impiedoso.
Vive sem medo do inverno pois sabe que seu tempo se aproxima.
Vive sem medo do inverno pois sabe que seu tempo se aproxima.
É tímida, tão tímida que não deu ainda notícia alguma.
É tímida, tão tímida, que espera o inverno fazer sua cena.
Assiste a cena escondida, respeita as estações.
Lida com o frio criando flores, pequenas e frágeis.
É tão tímida e tão bela que foi, aos poucos, conquistando o inverno.
O inverno foi, aos poucos, se apaixonando pela primavera.
Pela sua beleza, pelos seus ares, suas cores, pela sua promessa de vida.
O inverno hoje está na alma, um inverno da alma.
Mas a primavera fica esperando, do lado de fora da alma. Não para surpreendê-la, mas porque aquela alma a surpreende.
A primavera é amena e gentil, a primavera ama o inverno. E, por amá-lo, ela o espera.
A primavera sabe que a tendência é que o inverno vá e ela fique.
A primavera sabe da finitude.
E é por isso que espera, a bela primavera, espera porque o minuto valeu a pena.
A primavera parece frágil, mas é ela que supera o inverno.




