Estava tudo muito bom, tudo muito bem.
João das Couves ia e voltava do bar. E cada vez que voltava tinha mais certeza de que não deveria ir.
Não eram as pernas trocadas e os giros de bailarina, nem tampouco as latas de cerveja que se acumulavam na mesa.
Era o balanço do corpo, o ritmo da alma, até uma hora em que parecia que a alma tinha abandonado aquele corpo desequilibrado e ido bater ponto no inconsciente.
Freud talvez explique.
Quando se deixou cair na parede, em posição fetal, soube que era o fim.
Na mão do palhaço, no espírito do Mike Tyson hiperativo. São metáforas adequadas.
Os amigos, preocupados, revezavam-se nos cuidados.
Braços, abraços, pernas e gritos de "cara, para, você não tem condição de sair daqui"
Enquanto ele, perdido em si, bradava "vocês estão tirando minha liberdade"
Meu amigo, a gente te ama, não fosse isso teríamos tirado a sua vida.
Beijos, boa ressaca, na próxima só vai tomar Guarana Dolly.
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