segunda-feira, 27 de abril de 2009

Reciprocidade

Não o vira por uma semana.
Não a vira vez alguma em toda a vida.
Tinha as mãos geladas ao escrever-lhe.
Escrevia-lhe enquanto falava ao telefone.
Sentia o coração disritmado ao pensar nele.
Não possuia coração.
Ia aos lugares alimentando esperanças de vê-lo.
Ia aos lugares para alimentar-se e beber.
Não adormecia, perguntando-se o que ele estaria fazendo.
Acordava de ressaca, perguntando-se o que havia feito.
Queria despir-se diante dele.
Vestia-se sem olhar o espelho.
Escolhia cada palavra cuidadosamente.
Proferia-lhe poucas palavras.
Olhava-o avexada, temendo não correspondência em negação, repúdio.
Desconhecia o próprio campo de visão.
Queimava-lhe a tez com a presença dele.
Congelava tudo que o rodeava.
Falava na esperança de despertar-lhe interesse.
Não falava.
Encostava-lhe e tremia por dentro ao toque.
Encostado, nada sentia, como se não houvessse contato.
Esculpia-se para ele.
Era pedra.
Ela o Amava.
Ele não a Amava.

2 comentários:

Violeta disse...

Tua apatia se faz tão presente nesse escrito que não tive como não gostar! Adorei a forma como deu ritmo ao texto, subidas e descidas bem desenhadas. Sempre bom se compreender um pouco mais, o texto me passa isso.

Enfim, amo você.
Beijo!

Miguel Pinho disse...

Jesus, o céu é o limite pra essa garota. Daqui a pouco vai assinar com a cia das letras. Depois vai ficar metida e nem vai olhar mais pros antigos conhecidos negando até autógrafo ;D

=***