Nós nos conhecemos faz mais de 4 anos.
Lembro de quando falei contigo pela primeira vez.
Eu tinha tudo pra não gostar de ti, lembra?
Mas não deu.
O tudo foi por água abaixo.
Começamos a falar besteira, bobagem, e de repente você me contava da tua vida, compartilhava comigo os teus segredos, tuas felicidades e angústias.
E me dei conta de que não dava pra desgostar de ti, que éramos amigos.
A gente se via diariamente pela web cam, perguntava de roupa, de cabelo, de nada, de tudo.
Partilhamos momentos de nossas vidas. Infelizmente fomos nos afastando, você deixou de aparecer, deixamos de nos falar, fomos perdendo contato, mas nunca perdendo sentimento.
Eu sei que sou importante na sua vida, e sei que você é importante na minha.
E, mais do que tudo isso, sabemos que nem a distância física nem o tempo abalam esse sentimento de querer bem, de cuidado, que temos um com o outro.
Eu sei que as coisas não estão fáceis pra ti.
E que por vezes nos perguntamos "e agora, pra que eu to aqui?", e não obtemos resposta.
Eu sei que você, agora, não tem uma resposta.
Mas eu sei também que quero te ajudar a encontrar uma.
A primeira resposta para a pergunta do "por que estou vivo?" é muito egoísta da minha parte, confesso. Você está vivo para fazer bem àqueles que te amam, e eu me incluo nesse grupo, junto com a tua família e amigos. Quero que entenda que muita gente te ama e te quer por perto. E que é muito egoísta da sua parte desistir, porque se você desistir, todos perecemos.
A segunda resposta é boa: você não tá no mundo por acaso. Diariamente influenciamos as pessoas e somos influenciados por elas. Construímos um pouquinho dos que nos cercam. É difícil ver isso, mas criamos laços por aí. Você certamente criou vários laços, e cabe a você desenvolvê-los, tranformando-os em laços fortes e resistentes. Mesmo que não tenha amigos aí por perto, amigos de longa data. Está na hora de fazer mais amigos. De ser mais amigo.
A terceira resposta não é bem uma resposta, é tipo um dever de casa: separe duas folhas de papel. Em uma escreva diariamente tudo o que te faz mal, tudo o que te incomoda e entristece. Na outra liste, também diariamente, todos os seus desejos, tudo o que quer pra si (vale tudo: desde um abraço da família até uma televisão de 50 polegadas).
Faça isso diariamente, e anote os dias de cada comentário. Leia-os diariamente.
Eu aprendi que depois de um tempo convivendo com a tristeza, você começa a achar beleza nela. Isso pode ser péssimo, mas não necessariamente. Quero que olhe as tuas tristezas e que as meça. Assim a gente normalmente se dá conta de que nos entristecemos várias vezes pelas mesmas coisas. Quero também que meça os seus sonhos. Vai se dar conta de que estes são bem maiores do que aqueles.
Certo, to escrevendo muito e sei o motivo: queria apenas te dar um abraço e dizer que vamos dar um jeito nisso. Mas não posso te abraçar agora, infelizmente. Só posso dizer que estou aqui pro que precisar, e que vamos, sim, dar um jeito nisso.