sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O "direitopata" e a "esquerdopata"

Tamborilava os dedos no celular. Ligaria? Não. Ligaria? Não.
Ligou.
Não atendeu.
Tamborilou os dedos na mesa, nos joelhos, no rosto. Nada.
Fazia mais de um mês que não se viam. Será que ainda havia algo? Será que ainda estavam juntos?
Nada.
Deitou na cama, olhou pro teto. O celular toca. Ele? Não.
Fecha os olhos.
Abriu-os e viu que eram muito diferentes. Será que isso os afastou?
Teriam sido as divergências políticas? Teriam se decepcionado um com o outro por isso?
De fato o direitismo era ruim. Muito ruim, de longe seu maior defeito. Não, mentira, seu maior defeito era o mês sem contato.
Sim, era tudo político. A política une os ideais e afasta os idealistas.
Um mês... será que havia alguma direitista? Se houvesse, ele lhe diria? Ela saberia?
Nada.
Adormeceu.
eu gosto de vc mesmo vc sendo esquerdopata!
eu não sou esquerdopata... você é que é direitopata
vc é!
e eu ser esquerdopata diminui o que você sente por mim?
Não exatamente. rs
não exatamente = você gostaria mais de mim caso eu fosse direitopata?
não seria legal se vc fosse "direitopata"

Não tamborilou os dedos naquela noite. Nem na mesa, nem nos joelhos, nem no rosto.
A política pode até afastar os idealistas, mas aproxima os ideais.
E, naquele instante, um era o ideal do outro.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Momento pessoal: criando novos laços

Ando em meio às rupturas que eu mesma traço.
E o traçado do meu lápis perfaz muito do papel.
Rabisco amizades, pseudo-amizades e coleguismos.
O que tem sobrado de folha em branco?
Comprei hoje, agora, uma resma de papel reciclado.
Não tenho, neste instante, mais do que duas folhas em branco, mas já devidamente nomeadas.
Pertencem a mim e a duas pessoas, e resolvi cultivar estas duas folhas com seus nomes, para nelas criar uma história bela.
Das folhas rabiscadas, antigas, me desfaço. Rascunhos não promissores vão perdendo espaço.

O papel reciclado da resma vem dos rascunhos que joguei fora.
Desejo o papel reciclado por motivos simples: primeiramente porque nenhum rabisco é vão. Sempre aprendemos com as letras que escrevemos, mesmo que elas não possuam final feliz. Em segundo lugar, porque não quero errar novamente.
E não quero esquecer dos acertos e erros que tive. Cultivarei, então, o meu aprendizado através das folhas recicladas.

Passarei, agora, o meu passado a limpo. Não será tarefa fácil, admito. Afinal, para ele estão reservadas até 498 folhas.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Estive em teu mar, saí sem respingos


Estive estes dias em teu mar.
Passei de passagem.
Passei, no passado.
Passei pelo passado e, apesar de parecer, com ele não flertei.
Olhei meu passado recente como quem olha para algo distante.
Tentei encontrar na memória como era e o que sentia, mas não mais sentia.

Se era oca, vazia?
Sim, de ti era.
Mas não oca e vazia como esperei que seria.
Dentro de mim vivia um sentimento cuja dimensão eu desconhecia.

As rimas não são por querer.
Só ando sentindo demais coisas que me tocam de menos.
Se me arrependo? Não sei.
Se peço desculpas? Não.
Não me desculpo por nada, exceto pelas rimas mal tecidas.

O bom é que muitas vezes concordamos. O ruim é que, por isso, não mais nos falaremos

E ele disse, em 13 de agosto de 2010  "e vc sabe que não acredito q contatos de msn, q não se veem, q não saem, sejam amigos"

Somos muito parecidos. Somos também muito diferentes, mas no geral era tudo ótimo!
Muitas vezes concordávamos, outras não. E, quando discordávamos, debatíamos.
E, quando debatíamos, no entendíamos. Não que concordássemos, mas nos respeitávamos.

Ele estava certo. E, por conta desta frase, desta frase tão certa, não haverá mais concordância ou discordância, mas apenas afastamento.

Não quero pessoas para fazer número. Quero amigos.
E aprendi com ele que não acredito que contatos de msn que não se vêem, que não saem (e que não se falam/procuram), sejam amigos.

Aprendi.
Apreendi.
Me desprendi.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Para David Max, porque uma amizade de tanto tempo não perece na adversidade

Nós nos conhecemos faz mais de 4 anos.
Lembro de quando falei contigo pela primeira vez.
Eu tinha tudo pra não gostar de ti, lembra?
Mas não deu.
O tudo foi por água abaixo.
Começamos a falar besteira, bobagem, e de repente você me contava da tua vida, compartilhava comigo os teus segredos, tuas felicidades e angústias.
E me dei conta de que não dava pra desgostar de ti, que éramos amigos.
A gente se via diariamente pela web cam, perguntava de roupa, de cabelo, de nada, de tudo.
Partilhamos momentos de nossas vidas.
Infelizmente fomos nos afastando, você deixou de aparecer, deixamos de nos falar, fomos perdendo contato, mas nunca perdendo sentimento.
Eu sei que sou importante na sua vida, e sei que você é importante na minha.
E, mais do que tudo isso, sabemos que nem a distância física nem o tempo abalam esse sentimento de querer bem, de cuidado, que temos um com o outro.
Eu sei que as coisas não estão fáceis pra ti.
E que por vezes nos perguntamos "e agora, pra que eu to aqui?", e não obtemos resposta.
Eu sei que você, agora, não tem uma resposta.
Mas eu sei também que quero te ajudar a encontrar uma.

A primeira resposta para a pergunta do "por que estou vivo?" é muito egoísta da minha parte, confesso. Você está vivo para fazer bem àqueles que te amam, e eu me incluo nesse grupo, junto com a tua família e amigos. Quero que entenda que muita gente te ama e te quer por perto. E que é muito egoísta da sua parte desistir, porque se você desistir, todos perecemos.

A segunda resposta é boa: você não tá no mundo por acaso. Diariamente influenciamos as pessoas e somos influenciados por elas. Construímos um pouquinho dos que nos cercam. É difícil ver isso, mas criamos laços por aí. Você certamente criou vários laços, e cabe a você desenvolvê-los, tranformando-os em laços fortes e resistentes. Mesmo que não tenha amigos aí por perto, amigos de longa data. Está na hora de fazer mais amigos. De ser mais amigo.

A terceira resposta não é bem uma resposta, é tipo um dever de casa: separe duas folhas de papel. Em uma escreva diariamente tudo o que te faz mal, tudo o que te incomoda e entristece. Na outra liste, também diariamente, todos os seus desejos, tudo o que quer pra si (vale tudo: desde um abraço da família até uma televisão de 50 polegadas).
Faça isso diariamente, e anote os dias de cada comentário. Leia-os diariamente.
Eu aprendi que depois de um tempo convivendo com a tristeza, você começa a achar beleza nela. Isso pode ser péssimo, mas não necessariamente. Quero que olhe as tuas tristezas e que as meça. Assim a gente normalmente se dá conta de que nos entristecemos várias vezes pelas mesmas coisas. Quero também que meça os seus sonhos. Vai se dar conta de que estes são bem maiores do que aqueles.

Certo, to escrevendo muito e sei o motivo: queria apenas te dar um abraço e dizer que vamos dar um jeito nisso. Mas não posso te abraçar agora, infelizmente. Só posso dizer que estou aqui pro que precisar, e que vamos, sim, dar um jeito nisso.

domingo, 14 de novembro de 2010

Para Ana "Madeleine", porque palavras superam a distância.

No fim das contas, tudo se acerta.
As lágrimas caem e secam.
O rosto que se contrai, ao fim relaxa.
A dor que te aperta, te deixa.
O amor que te corrompe, perece.
Sentimentos são inúmeros, incontáveis.
Amigos são contáveis, finitos.
Mas os sentimentos cessam e os amigos, finitos, ficam.
São eles que promovem o seu final feliz.


P.s: Ana, não sei o que é melhor para sua felicidade agora, não sei mesmo. Desculpe não poder ajudar mais.
Contudo, seja qual for o final, conte comigo para te ajudar a deixá-lo feliz.


Porque escritores amam boas histórias

(Não se preocupem, este texto é totalmente ficcional, tá tudo bem comigo)

Entraram no restaurante, ela e seu amigo, melhor amigo fazia anos.
Entrou no restaurante e o viu, ele mesmo, ali, sentado, conversando com uma outra mulher.
Próximos, próximos demais para uma amizade, mãos gentis demais para irmãos, primos ou qualquer coisa que o fosse.
- Acho melhor irmos para outro lugar - disse ela ao amigo.
- Por que, o que aconteceu?
- Não olhe agora, mas aquele cara com quem eu to saindo, lembra? - fez o amigo que sim com a cabeça - Então, ele tá atrás de você, dando em cima de uma outra mulher.
- Puta merda, e você não quer ir lá falar com ele?
- Não, não, melhor não.
Saem.

No dia seguinte, ela se encontra com o "cara".

- Ontem te vi no restaurante com uma mulher.
- Ah, jura? - faz cara de surpreso.
- Juro
.- Uhm, e por que não foi lá falar comigo?
- Ah, você sabe que eu escrevo, né? - ele afirma que sim com a cabeça - Então, como escritora que sou, gosto muito de boas histórias, e sabia que se continuasse lá, vendo o que aconteceria a seguir, você não conseguiria inventar nenhuma boa e convincente história agora, sabe...